Favorito, Correa encerra campanha criticando a imprensa do Equador

O presidente licenciado do Equador, Rafael Correa, encerrou ontem sua campanha pela reeleição com um comício para cerca de 15 mil pessoas na periferia de Quito. Em seu discurso, Correa criticou a oposição, a imprensa equatoriana e disse que os militantes que compareceram ao evento eram a prova de que a campanha não é apática.

LUIZ RAATZ , ENVIADO ESPECIAL / QUITO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h07

"Não se enganem. Não temos oposição democrática nesse país. A manipulação mediática quer fazer crer que a campanha é apática, mas isso aqui é a prova do contrário", discursou o presidente. "A esquerda radical e a direita radical se uniram aqui."

Desde o final da tarde, milhares de partidários de Correa reuniram-se nos arredores do bairro de Michelena para vê-lo. "Votarei nele porque ele soube distribuir as riquezas do Equador de modo mais equitativo", disse Cleuny Torres, perto do palco onde o presidente discursou.

A campanha eleitoral para o primeiro turno terminou ontem com uma série de comícios dos oito candidatos ao Palácio de Carondelet por todo o país. Durante 42 dias, os presidenciáveis percorreram a maioria das 24 províncias do Equador, mas não conseguiram, na opinião de analistas, mobilizar a população, que já trata como inevitável a vitória de Correa.

"Foi uma campanha marcada pela apatia do povo, que não teve muito interesse nela, parte em razão das normas impostas pelo Conselho Nacional Eleitoral. Foi uma campanha curta e as coligações tiveram pouco tempo de ser conhecidas pela população", afirmou ao Estado o cientista político Simón Pachano, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). "Além disso, nenhum candidato teve uma mensagem clara, nem mesmo Correa, que contou com mais exposição na mídia que os outros. A oposição, por sua vez, fez uma campanha muito ruim. Não apresentou propostas e nenhum candidato se colocou como alternativa a ele."

Para o chefe do comitê provincial de Pichincha, a província equatoriana que abriga Quito, Fabián Herrera, Correa vencerá a eleição ainda no primeiro turno "por ter feito os equatorianos voltarem a ter orgulho de ser equatorianos" e por ter levado melhor qualidade de vida às áreas mais pobres do país.

"Essas pessoas agora têm a atenção do governo em áreas como Saúde e Educação que antes não tinham", disse o militante ao Estado. "Além disso, a dignidade voltou ao país. Antes tínhamos vergonha de dizer que éramos equatorianos. Votávamos uma vez por ano para presidente e éramos mal vistos internacionalmente. De minha parte posso te dizer que tinha vergonha de dizer que era do Equador."

Herrera é músico e diz trabalhar como voluntário na campanha. Segundo ele, esse é o caso de 80% das pessoas que trabalham pela reeleição de Correa. "Não saberia dizer quantos somos ao todo porque é um trabalho de base. Cada comitê mobiliza uma equipe, que mobiliza um bairro e por aí vai. Aqui em Pichincha, somos 154 mobilizadores." Nas ruas de Quito, principalmente nos bairros pobres, o material de campanha do presidente é o que se faz mais presente.

Na Plaza Grande, a principal de Quito, a percepção da maioria das pessoas é de uma vitória fácil do presidente. "Correa vai ganhar com mais de 70% dos votos", disse o motorista de ônibus Alejandro Aguirre. "Ele faz muitas obras, estradas, hospitais. Faz mais do que os outros fizeram quando estavam lá."

Eleitor de Guillermo Lasso, o operador de máquinas de raio X Pablo Ibaje admite que será difícil tirar Correa do Carondelet. "Gosto das propostas de Lasso, os impostos subiram muito e ele quer diminuí-los, mas dificilmente Correa perde."

Lasso, que fez seu último comício em Guayaquil, partiu para o ataque contra Correa, tentando tirar votos do presidente. Em entrevista à Rádio i99, o candidato, que construiu a carreira no setor bancário, disse que Correa lhe pediu dinheiro para sua primeira campanha presidencial, em 2006: "Quando era candidato pedia apoio aos banqueiros e agora ataca o setor financeiro e lança uma campanha suja imoral abusando de seu poder na mídia".

Em virtude da crise financeira que assolou o Equador na virada do século, os equatorianos tiveram suas poupanças confiscadas e os bancos foram resgatados pelo Estado. Até hoje, o setor tem uma imagem ruim perante a população. Lasso, que foi diretor do Banco de Guayaquil e ministro da Economia durante a crise, tem em seu passado um dos fatores que minam seu crescimento nas pesquisas, dizem analistas.

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