REUTERS/Charles Platiau
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Favorito em eleição francesa quer unificar previdência

Emmanuel Macron, do movimento social-liberal En Marche!, exalta modelo escandinavo, com lexibilização na economia, proteção social e redução de impostos

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2017 | 21h10

PARIS - Considerado pelos institutos de pesquisas como o favorito para vencer a corrida ao Palácio do Eliseu, o centrista Emmanuel Macron apresentou nesta quinta-feira, 2, seu programa de governo com uma orientação principal: a adoção de elementos do modelo econômico e social escandinavo pela França, com mudança no sistema de previdência.

Ao contrário das reformas anteriores, o candidato propõe manter a idade mínima de aposentadoria (entre 60 e 62 anos), mas defende o fim dos privilégios setoriais. Hoje há 37 regimes de aposentadoria públicas e privadas. Macron propõe um único, com tempo de contribuição variável de acordo com o grau de risco sanitário de cada profissão.

Entre as principais medidas estão um programa de investimentos de € 50 bilhões, a redução de € 60 bilhões nos gastos do Estado, a extinção de cerca de 120 mil cargos públicos, uma reforma da previdência que universaliza as regras e uma lei de moralidade na vida política.

O programa de Macron foi o último a ser apresentado, e também era o mais aguardado da campanha na França. Ex-ministro da economia do governo de François Hollande, o líder do movimento social-liberal En Marche! (Em Movimento) preparava o conjunto de propostas desde a fundação de seu partido. O documento enfatiza a flexibilização da economia, ponderada com ações de proteção social. 

A ideia geral é de mais proteção, associada a mais risco. Macron propôs, por exemplo, a redução do imposto sobre empresas de 33,3% a 25%, com o objetivo de ampliar a competitividade, mas prometeu que os impostos serão mais altos para empresas que contratarem funcionários em vagas precárias, por tempo determinado. 

A iniciativa privada que levar à criação de empregos também receberá subsídios, mas as subvenções serão maiores para quem empregar moradores de periferia.

O candidato também defendeu um limite ao pagamento de seguro-desemprego. Esse beneficio passaria a atingir também quem pede demissão, mas seria retirado de quem recusar duas ofertas de empregos na sua área de formação e com salários similar ao anterior. 

“Não, não propomos reformar o país, mas transformá-lo”, afirmou, em uma entrevista coletiva de quase três horas de duração em Paris.

Em meio a escândalos de desvio de verbas públicas envolvendo dois de seus adversários, Marine Le Pen, do partido nacionalista Frente Nacional (FN), e François Fillon, do conservador Republicanos, Macron apresentou ainda uma legislação de “moralização da vida pública”.

Entre as medidas estão uma lei de ficha limpa, que tornaria inelegível qualquer cidadão com pendências judiciais. Ele quer também o fim do nepotismo - legal até aqui, que estimula empregos fantasmas para enriquecimento pessoal de parlamentares - e o fim de atividades paralelas de conselho para deputados e senadores, com o objetivo de reduzir a influência de lobbies e o conflito de interesses entre eleitos e empresas privadas. 

Benefícios extras terão de ser declarados e tornados públicos pelos parlamentares, que perderão ainda o direito a regras específicas de aposentadoria.

Macron é considerado pelos institutos de pesquisa o atual favorito das eleições presidenciais na França, desde que a campanha de François Fillon entrou em crise. Desde terça-feira, mais de 60 membros do partido Republicanos retiraram o apoio ao conservador, acusado de corrupção e desvio de verbas públicas pelo Ministério Público Financeiro.

De acordo com pesquisa publicada nesta quinta pelo instituto Elabe, Macron se beneficia desse cenário e aparece em segundo lugar no primeiro turno, com 24% das intenções de voto, contra 27% de Marine Le Pen e 19% de François Fillon. Em um hipotético segundo turno com a nacionalista, Macron venceria por 61% a 39% dos votos.

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