Favorito, Morales promete consolidar democracia na Bolívia

Presidente foi criticado por pedir votos no dia do pleito; opositor acredita em 2º turno.

Marcia Carmo, BBC

06 de dezembro de 2009 | 17h48

Considerado o favorito nas eleições presidenciais da Bolívia neste domingo, o candidato à reeleição, Evo Morales, classificou o pleito como "histórico" e disse que os bolivianos estão escolhendo entre "democracia" e "mudanças" e o "neoliberalismo", que, segundo ele, "castigou" o país.

Candidato a mais um mandato, desta vez de cinco anos, Morales afirmou que, após as eleições, o principal desafio do presidente eleito será a regulamentação da nova Constituição boliviana, aprovada em um referendo em janeiro deste ano.

Falando à imprensa logo após votar na região cocaleira de Chapare, no centro do país, Morales defendeu que outros referendos sejam convocados, casos existam divergências sobre outros pontos da legislação.

"Faremos quantos referendos forem necessários, sempre que ocorrerem diferenças sobre algum tema", disse Morales, que afirmou ter governado "sob a premissa de submeter-se à vontade do povo, por meio de referendos".

Segundo o presidente boliviano, as eleições deste domingo são um passo em direção "ao fortalecimento e aprofundamento do processo democrático".

As declarações de Morales geraram críticas na Bolívia, levando alguns analistas a declararem que ele estaria "desrespeitando" a legislação eleitoral por "pedir votos no dia da eleição".

Segundo turno

Cerca de 5,1 milhões de eleitores bolivianos devem ir às urnas neste domingo para escolher o próximo presidente do país, além de senadores e deputados.

Até o momento, a votação ocorreu sem maiores incidentes.

Pesquisas de opinião indicam que Evo Morales pode vencer as eleições já no primeiro turno.

O principal candidato da oposição à Presidência, Manfred Reyes Villa, no entanto, se disse confiante na realização de um segundo turno entre ele e Morales.

"Nós vamos vencer hoje e vamos disputar o segundo turno", afirmou o candidato no Departamento (Estado) de Cochabamba, onde votou.

Reyes Villa também respondeu às insinuações de membros do governo Morales, que afirmaram que ele deixará o país na segunda-feira para tentar escapar de denúncias de corrupção e de participação em atos de violência que pesam contra ele.

"Eu não vou deixar a Bolívia porque eu serei presidente do país", afirmou.

Divisões

O candidato a vice na chapa de Reyes Villa, Leopoldo Fernández, por sua vez, declarou que as eleições deste domingo não devem solucionar as divisões políticas no país.

"Os resultados não vão mostrar nenhuma novidade. Serão parecidos com as últimas votações. Os resultados vão mostrar um país dividido", disse a um grupo de jornalistas.

Fernández também criticou as declarações do atual vice-presidente, Álvaro García Linera, considerado o ideólogo do governo, que afirmou que a oposição seria derrotada e deveria deixar de atuar de "forma selvagem".

"Linera disse que a oposição já está derrotada e que, portanto, temos que acompanhar as decisões do governo. Mas isso não é correto", afirmou o candidato a vice-presidente

As declarações de Fernández foram feitas na porta principal do presídio de São Pedro, em La Paz, onde ele está preso, acusado de responsabilidade pela morte de onze pessoas, em setembro passado, no Departamento de Pando, de onde era governador.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.