Favorito na Itália, Bersani vê crescimento de Berlusconi

Ofuscada pela renúncia de Bento XVI, eleição parlamentar de domingo e segunda definirá novo primeiro-ministro

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h05

Na reta final das eleições parlamentares que resultarão na escolha de um novo primeiro-ministro para a Itália, "Il Cavaliere" Silvio Berlusconi não para de reduzir a vantagem do favorito nas pesquisas, o candidato de centro-esquerda Pier Luigi Bersani. Ainda favorito nas pesquisas de opinião, o líder do Partido Democrático (PD, ex-Partido Comunista) pode precisar de uma aliança com o atual premiê, o demissionário Mario Monti, para governar a terceira economia da zona do euro.

A campanha eleitoral na Itália foi ofuscada quando se aproximava do fim pela renúncia do papa Bento XVI e pela sucessão no Vaticano. Com isso, a incerteza é maior quanto ao resultado das urnas. Segundo as últimas pesquisas eleitorais, Bersani ainda lidera, com entre 33% e 34% das intenções de voto. Em segundo aparece a coalizão entre O Povo da Liberdade (PDL, direita), partido liderado por Berlusconi, três vezes primeiro-ministro, e a Liga Norte (extrema direita). O grupo oscila entre 28,5% e 30,5% - bem abaixo dos 38% de 2008.

Em terceiro lugar, aparece uma surpresa, o humorista Beppe Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas (M5S, esquerda), que decolou nas pesquisas com um discurso antiausteridade fiscal. Com uma retórica dirigida ao aumento do salário mínimo, na redução de impostos para pequenas e médias empresas e na redução do número de parlamentares, Grillo tem entre 14% e 18% das preferências. Só em quarto lugar aparece o atual premiê, Monti, que lidera uma coalizão de centro cujo escore varia entre 10% e 14% nas pesquisas.

Favoritismo. Mesmo com a queda da diferença para Berlusconi, Bersani segue o favorito, isso porque poderia, em tese, contar com o apoio de Monti, transformado em fiel da balança. Sozinho, o candidato do PD não teria a maioria nas duas casas do Parlamento, a Câmara e o Senado, mas o candidato democrata as obteria com o apoio de Monti. Nos bastidores políticos de Roma, já se fala em um acordo de governança entre Bersani e Monti, embora o atual primeiro-ministro tenha negado ontem essa possibilidade. "Não temos nada em comum com essa coalizão de centro-esquerda", afirmou o premiê demissionário, já cogitado para o cargo de ministro da Economia ou presidente do Senado.

Atento a essa possibilidade, Berlusconi centra sua campanha em críticas aos adversários. Ontem, ele qualificou Monti de "o pior economista da Terra". "Berlusconi reapareceu desde o fim de dezembro e início de janeiro. Ele impôs no centro do debate a questão dos impostos, com propostas radicais que encontram eco", diz o cientista político italiano Fabio Liberti, do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), de Paris. "Mas as pesquisas mostram que a confiança em Berlusconi está em seu nível mais baixo. A opinião pública começa a ser vacinada contra ele."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.