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Favorito para liderar Líbia, Mahmud Jibril adota tom de conciliação

Resultados parciais confirmam vitória da Aliança das Forças Nacionais, de Jibril, que elogiou 'transparência'

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / TRÍPOLI, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2012 | 03h05

TRÍPOLI - Resultados parciais divulgados na noite de segunda-feira, 9, pela Comissão Eleitoral da Líbia confirmam os prognósticos de que a Aliança das Forças Nacionais (NFF), partido moderado e secular, deve ser o grande vencedor das eleições parlamentares de sábado. O líder do NFF, Mahmud Jibril, adotou um tom conciliador, elogiando o trabalho da Comissão Eleitoral. "É um verdadeiro milagre que essa eleição tenha sido tão bem-sucedida e tão transparente", disse ao Estado Jibril.

 

Em pronunciamento à imprensa internacional, o ex-primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição (CNT) se recusou a comentar os prognósticos de vitória de seu partido, alegando que "a Líbia saiu vencedora" e a eleição - a primeira desde os anos 50 e após a queda do regime de Muamar Kadafi - deve servir para unir o país em torno de um plano de reconstrução. Oito meses de guerra deixaram mais de 20 mil mortos e cerca de 16 mil desaparecidos.

O partido de Jibril obtém resultados esmagadores em cidades progressistas, como Janzour, na região metropolitana, mas é superado em bastiões conservadores do país, como Misrata. Ainda assim, a NFF deve superar o partido da Irmandade Muçulmana.

A contagem parcial foi anunciada pela comissão na noite de ontem, em Trípoli, encerrando dois dias de silêncio das autoridades. Em Janzour, uma das maiores cidades cujos resultados já começaram a ser apurados, a Aliança Nacional venceu com impressionantes 26,7 mil votos, contra os 2,4 mil do segundo colocado, o Partido Justiça e Construção (AB), da Irmandade Muçulmana. A mesma tendência foi verificada em Zliten, a 161 quilômetros a leste da capital, onde o NFF somava na noite de ontem 19,2 mil votos, contra 5,6 mil de seus concorrentes religiosos.

Já em Misrata, a 213 quilômetros também a leste de Trípoli, o resultado era favorável aos conservadores com 84% das urnas apuradas. Mas quem ficou à frente foi um pequeno partido local, a União pela Pátria, liderado por personalidades da cidade, somava até a noite de ontem 20,6 mil votos, contra 17,1 mil da Justiça e Construção. Em terceiro ficou o partido radical islâmico Nação (Wattan), liderado por outra personalidade do país, Abdelhakim Belhadj, ex-membro redimido da Al-Qaeda. Em Misrata, a Aliança Nacional obteve só 6,5 mil votos, em quarto lugar.

Obstáculos

 

Os resultados de Trípoli, maior centro urbano do país, e Benghazi, o segundo, ainda não foram revelados pela Comissão Eleitoral. A apuração ainda pode levar quatro ou cinco dias e a demora foi justificada pela Comissão Eleitoral pelas dificuldades logísticas do país. A Líbia tem grandes extensões de terras desérticas no Saara e, para trabalhar, a comissão depende de fortes esquemas de segurança. As urnas são transportadas até o aeroporto militar de Mitiga, na capital, onde a apuração das 13 circunscrições do país foi concentrada.

Essa preocupação com a segurança se dá porque milícias armadas que defendem o movimento federalista, com maior autonomia para a região de Cirenaica - onde fica Benghazi -, prometeram sabotar o processo eleitoral. No sábado, eles realizaram ataques contra seções em Benghazi, em Ajdabiyah - onde uma pessoa foi morta - e contra Derna, todas no leste do país.

Apesar da prudência de Jibril, muitos dos 3,7 mil concorrentes ao Congresso Nacional já vêm admitindo a vitória da Aliança Nacional. Mabrouk Daredi, aspirante a uma vaga pela região de Trípoli, reconheceu ontem suas chances "mínimas" de ser um dos 200 deputados eleitos e elogiou o grande vencedor. "Jibril assumiu a liderança desde o início da revolução, encontrou-se com líderes políticos mundiais, fez uma ótima campanha e por isso é o favorito disparado", afirmou orgulhoso do sucesso da votação, apesar de sua derrota. "Foi uma eleição muito limpa, muito transparente. O mundo esperava violência e nós mostramos que somos um país mais maduro."

Nas ruas de Trípoli e de sua região metropolitana, o mesmo orgulho continua a tomar conta dos cidadãos líbios. E, como previsível, esse sentimento é ainda mais forte entre eleitores moderados. "Com Jibril, nós vamos começar todos juntos a reconstruir o país e a enterrar de uma vez os anos de ditadura de Kadafi", disse o engenheiro Mohamed Abukhatwa, que veio dos Estados Unidos para votar pela primeira vez.

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