EFE/ Stephanie Lecocq
EFE/ Stephanie Lecocq

Favorito para nomear premiê, grupo de Berlusconi indica pupilo moderado

Antonio Tajani, de 65 anos, foi escolhido pelo ex-premiê italiano para governar a Itália em caso de vitória da coalizão de centro-direita e extrema direita organizada por ele; Movimento 5 Estrelas lidera pesquisas, mas é avesso a alianças

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 21h30

Um ex-monarquista convicto, ex-porta-voz e fiel pupilo do empresário Silvio Berlusconi, Antonio Tajani, de 65 anos, foi escolhido por “Il Cavaliere” para governar a  Itália em caso de vitória da coalizão de centro-direita e extrema direita organizada pelo ex-primeiro-ministro italiano.

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O anúncio do apoio foi feito por Berlusconi em pessoa e agitou as eleições italianas. A votação permanece imprevisível. Quem lidera é o partido populista Movimento 5 Estrelas, que, no entanto, tem poucas chances de governar. Atual presidente do Parlamento Europeu, conservador moderado, Tajani seria o nome da vez para tentar evitar um impasse que paralise o Parlamento em Roma.

A escolha foi confirmada nesta semana por Berlusconi, que após três anos de “exílio” político voltou ao protagonismo e pode ser decisivo na escolha do futuro primeiro-ministro. Inelegível por ter sido condenado por fraude fiscal, o empresário e três vezes premiê não pode concorrer a nenhum cargo público. 

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Seu partido, o Força Itália, porém, está bem posicionado entre as legendas, que vão da centro-direita à extrema direita, para indicar o futuro primeiro-ministro. “Cabe a ele decidir”, disse Berlusconi sobre Tajani. “É o candidato certo para o posto.”

Tajani é um velho aliado de Berlusconi. O advogado foi defensor ativo da restituição da família real italiana, a Casa de Savoia, ao poder. Mais tarde, defendeu o fim de seu exílio obrigatório – o que ocorreu em 2002. Antes, porém, esteve ao lado de Berlusconi na formação do Força Itália, partido criado pelo empresário em 1994, que o levou ao poder no mesmo ano. Então, tornou-se porta-voz do premiê. 

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Apesar de sua sintonia com o político mais importante da história contemporânea da Itália, Tajani jamais conseguiu um bom desempenho eleitoral. Em 1996, foi derrotado em uma tentativa de tornar-se deputado. Em 2001, perdeu de novo, desta vez em eleição para prefeito de Roma. 

No entanto, europeu convicto, fez carreira em Bruxelas, elegendo-se deputado europeu e chegando ao cargo de comissário de Transportes e, mais tarde, da Indústria. Experiente nos meandros do bloco, foi eleito presidente do Parlamento Europeu, em janeiro de 2017, substituindo o líder social-democrata alemão Martin Schulz.

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Além de sua proximidade com Berlusconi, pesa contra Tajani o fato de não ter agido como comissário diante das evidências de que a Volkswagen fraudava seus motores diesel, além de suas posição misóginas e homofóbicas.

Mas, em um cenário de alta fragmentação política, um nome considerado “técnico” – ou seja, de fora da política partidária – pode ser mais uma vez a solução para evitar um novo impasse no Parlamento. 

Segundo a média das últimas pesquisas, o favorito seria o populista Luigi di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas (M5S) com 27,8% das intenções de voto. Mas, avessa a alianças políticas, a legenda tem dificuldade de chegar ao poder. Sua única alternativa seria propor uma aliança à Liga Norte, de direita, mas não é certo que seja suficiente para governar, mesmo na hipótese de um acordo.

A segunda opção seria a aliança de um conjunto heterodoxo de partidos que iriam da centro-direita à extrema direita e somaria os votos da Força Itália, de Berlusconi (16,8% das intenções), Liga Norte (13,2%), de Matteo Salvini, e Irmãos da Itália (movimento fascista que tem 4,7% das preferências). 

Uma terceira possibilidade seria a coalizão entre a centro-direita, liderado pelo Força Itália, com a centro-esquerda, comandado pelo Partido Democrático (PD), do ex-premiê Matteo Renzi. Essa aliança, também inédita, mas improvável, poderia obter maioria absoluta no Parlamento.

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