Enrique Marcarian/Reuters
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Favoritos cobiçam voto de 3º colocado na Argentina

Governador de Buenos Aires e prefeito da capital são favoritos, segundo pesquisas; eles disputam eleitores de Sérgio Massa

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2015 | 08h23

O ex-kirchnerista Sergio Massa é o candidato presidencial que mais votos perdeu este ano e, paradoxalmente, o que ganhou mais relevância. Mantida a polarização entre os favoritos, Daniel Scioli e Mauricio Macri, o espólio do político que impediu nas urnas em 2013 que Cristina Kirchner disputasse um terceiro mandato decidirá a eleição de outubro. Massa tem entre 13,8% e 20,1%, segundo duas das principais consultorias.

Em julho de 2008, o peronista de discurso linha-dura governava Tigre, balneário ao norte de Buenos Aires. Segundo a biografia Massa, El Salto del Tigre, o político de 43 anos ouvia no rádio a queda do chefe de gabinete, o segundo na hierarquia política. Tomava chimarrão de manhã quando recebeu, de cuecas, uma ligação presidencial. O telefonema decorria da notícia.

Massa foi a voz do kirchnerismo por um ano. Voltou a ser prefeito até novembro de 2013, ano em que rompeu com o governo, criou a Frente Renovadora e venceu uma eleição parlamentar que destruiu a meta kirchnerista de mudar a Constituição e permitir a Cristina mais um ou alguns mandatos.

Até o fim do ano passado, Massa aparecia em primeiro nas sondagens de opinião. Ganhou fama de bom administrador, com um discurso calcado no combate à insegurança e no monitoramento eletrônico.

"Ele instalou câmeras na cidade e nos carros da polícia. Propõe um Código Penal com penas mais duras", afirma a dona de casa Cecilia Álvarez, de 36 anos, de Mar del Plata, para justificar seu voto em Massa. Outra eleitora de Massa, a enfermeira Delia Susana Borba, de Concordia, fronteira com o Uruguai, também exalta as propostas por mais segurança. "Tentaram me roubar duas vezes. Não conseguiram porque sou uma mulher muito forte", explicou ao Estado Delia, que anulará o voto caso Massa não avance.

As consultorias Poliarquía e Management & Fit apontam equilíbrio na distribuição dos votos de Massa em um segundo turno entre Scioli e Macri. Segundo a M&F, o eleitorado dele é próximo da média do país, mas formado por mais mulheres e jovens, de renda e escolaridade mais baixa. Na eleição de 2011, 40% de seus eleitores votaram na oposição e 35% em Cristina. Hoje, 62% deles desaprovam a gestão nacional, mas não quer dizer que não votariam em Scioli.

Após uma leve queda com a morte do promotor Alberto Nisman, em janeiro, a popularidade da presidente voltou aos 40% que tinha em dezembro, segundo a Poliarquía. Isso permitiu a Scioli, que deve vencer a prévia de agosto, encorpar sua candidatura. "O fortalecimento da candidatura de Scioli fez muitos pressionarem pela unificação da oposição, algo improvável. Macri aposta que os eleitores de Massa desencantados com o governo o apoiarão sem um acordo que comprometeria o perfil opositor de seu partido", diz Nicolás Solari, da Poliarquía.

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