Favoritos em 2012, socialistas afastam trauma de 2002

Cenário: Andrei Netto

O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h05

Há exatos 10 anos, Lionel Jospin, então primeiro-ministro francês, candidato à presidência e esperança da esquerda de retornar ao Palácio do Eliseu, sofreu a mais arrasadora derrota da história do Partido Socialista (PS) ao terminar a eleição em terceiro lugar, atrás do xenófobo Jean-Marie Le Pen, pai da atual candidata Marine Le Pen. Em 2012, François Hollande tem a missão de liderar seu eleitorado à vitória, exorcizando dez anos de falta de liderança, de brigas internas, de falta de projetos políticos e de perspectiva de poder.

Foi pelas mãos de Hollande que a refundação teve início. Em 2008, contrariando as alas mais radicais, o então secretário-geral do PS lançou a Declaração de Princípios da agremiação. Neste documento, a pedra fundamental do partido, lançada pela primeira vez em 1905, ainda constavam cânones socialistas como "revolução", "propriedade coletiva dos meios de produção" e "operariado". Em seu lugar, agora constam "desenvolvimento sustentável", "economia mista" e "dinamismo privado" como princípios de um partido que aderiu à economia de mercado.

Em outubro, Hollande venceu as prévias do partido. No dia seguinte à vitória, Eduardo Cypel, membro franco-brasileiro do PS, candidato à Assembleia Nacional e um dos idealizadores do programa de imigração da campanha socialista, disse ao Estado, em conversa informal, que nunca havia visto o partido tão unido em torno de um nome para chegar à vitória.

Comandando o partido durante sua reforma em 2008, Hollande está mais perto do que nunca de expurgar o trauma da derrota em 2012. E pode estar inscrevendo seu nome na história do país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.