Favoritos na França buscam apoio do centro

A quatro dias da eleição, Sarkozy e Hollande tentam conquistar eleitores de François Bayrou

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h07

A quatro dias do primeiro turno das eleições da França, o presidente Nicolas Sarkozy e seu principal oponente, o socialista François Hollande, já tentam formar alianças para a disputa do segundo turno, no dia 6 de maio. Ontem, o centrista François Bayrou, do Movimento Democrático (Modem), confirmou que foi assediado por emissários dos dois, mas descartou a hipótese de aceitar o cargo de primeiro-ministro em troca de apoio.

A revelação foi feita em entrevista à rede de TV Canal+. Bayrou, quinto colocado nas pesquisas, com cerca de 10% das intenções de voto, é apontado como um dos fiéis da balança em um provável segundo turno entre Sarkozy e Hollande. Nas últimas duas semanas, políticos ligados ao presidente, como o atual primeiro-ministro, François Fillon, têm tentado convencer o centrista "a retornar a sua família política". "Tenho recebido emissários dos dois lados", reconheceu Bayrou. "Todos os que pensam que eu estou discutindo com Sarkozy ou Hollande, em segredo ou não, estão enganados."

Sobre a hipótese de aceitar o cargo de premiê, Bayrou foi claro. "Não se pode ser primeiro-ministro de um presidente com o qual não compartilhamos as opiniões", disse. "E, evidentemente, eu não tenho as opiniões que Sarkozy e Hollande."

A posição do centrista ganhou destaque no momento em que os candidatos nanicos crescem de importância. Ontem, a jurista Eva Joly, da coligação ambientalista PV-Europe Ecologie, fez uma turnê por Paris e pela periferia para denunciar as suspeitas de irregularidades que pesam sobre o presidente - e até aqui não foram provadas.

Sete entre oito institutos de pesquisas apontam empate técnico nas eleições de domingo. Ontem, sondagem realizada pelo instituto OpinionWay indicou que Hollande e Sarkozy estão empatados com 27,5% cada.

A extremista de direita Marine Le Pen, da Frente Nacional, aparece com 16%, à frente do extremista de esquerda Jean-Luc Mélenchon, com 13%. Bayrou, com 10%, e Eva Joly, com 2%, completam o quadro. No segundo turno Hollande venceria com folga (55% a 45%).

A única pesquisa que não aponta empate é a do instituto CSA, que na terça-feira mostrou uma diferença de 5% em favor do socialista já no primeiro turno (29% a 24%) e de 16% no segundo. Em geral, todos os institutos concordam que Hollande tende a subir e Sarkozy vem caindo.

De acordo com o cientista político Jérôme Sainte-Marie, diretor de Opinião do CSA, a legislação eleitoral da França, que prevê a igualdade absoluta do tempo de exposição na TV, asfixia a campanha do atual chefe de Estado. "Sarkozy não consegue mais manter a mobilização dos eleitores da direita", disse.

Os prognósticos favoráveis ao candidato do PS levaram Daniel Cohn-Bendit, deputado europeu do Partido Verde e uma das personalidades políticas mais respeitadas do país, a antecipar o resultado da eleição. "Creio que François Hollande venceu", disse. "Há uma vontade de pôr fim ao mandato de Sarkozy."

Em campanha, Hollande apresentou ontem uma nova proposta para seu governo. Ele defendeu a indexação do salário mínimo - 1.398,37 ou R$ 3.447,63 - não apenas à inflação, mas também ao porcentual de crescimento do país, assim como ocorre no Brasil. "Há uma recuperação a ser feita no salário mínimo, compatível com a situação econômica das empresas", declarou.

Sarkozy teve mais um dia na defensiva. Pela manhã, ele foi obrigado a desmentir uma suposta reunião das famílias mais ricas do país para coletar fundos para sua campanha.

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