Foto: Brendan Smialowski / AFP (16/07/18).
Foto: Brendan Smialowski / AFP (16/07/18).

FBI abriu inquérito para investigar se Trump atuava em prol da Rússia, diz jornal

O The New York Times revela que departamento de contrainteligência do FBI apurava se a demissão do ex-diretor James Comey teria sido em benefício da Rússia para obstruir justiça

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2019 | 03h15

WASHINGTON - O presidente americano Donald Trump foi alvo de inquérito aberto por agentes de contrainteligência do FBI dias depois da controversa demissão do ex-diretor do departamento federal, James Comey, em maio de 2017. A revelação foi divulgada pelo jornal The New York Times na noite desta quinta, 11. Segundo o veículo, a investigação apurava se o republicano estaria atuando secretamente em prol dos interesses da Rússia.

O Times afirma que o inquérito contém "implicações explosivas", pois o departamento de contrainteligência investigava se as ações de Trump configurariam possíveis ameaças à segurança nacional. Os agentes também buscavam determinar se o presidente tinha ciência de agir em benefício de Moscou ou se era apenas influenciado.

A investigação também tinha um aspecto criminal por apurar se a demissão de Comey configuraria obstrução da justiça. O ex-diretor do FBI supervisionava os inquéritos abertos no departamento sobre as interferências russas nas eleições presidenciais que elegeram Trump.

De acordo com fontes ouvidas pelo Times, agentes e oficiais de carreira do FBI tinham suspeitas da ligação entre a campanha de Trump e a Rússia durante as eleições de 2016, mas decidiram adiar a abertura de um inquérito. Em parte, o motivo seria a incerteza do grupo de como agir com um inquérito de tamanha sensibilidade e magnitude. No entanto, após a demissão de Comey em 2017, o departamento de contrainteligência se sentiu instigado a investigar o caso.

Os elementos de contrainteligência e criminal foram fundidos em apenas um inquérito, diz uma fonte do Times, pois se Trump demitiu Comey para impedir ou acabar com as investigações sobre a Rússia, o caso se trataria tanto de um crime federal quanto uma ameaça à segurança nacional. Segundo James Baker, que atuou como conselheiro geral do FBI até 2017, a demissão neste sentido interferiria na atuação do FBI em apurar como Moscou agiu para interferir nas eleições e se houve ou não a participação de americanos no caso. 

"Não seria apenas uma questão de obstrução de investigação, mas uma obstrução que danificaria nossa habilidade de entender como os russos atuaram, e isso seria uma questão de segurança nacional", disse Baker, em depoimento em outubro do ano passado na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Até o momento, nenhuma prova de possível contato entre Trump e agentes russos foi revelada.

O FBI não comentou a reportagem do Times.

O advogado Rudy Giuliani, que defende Trump, disse não ter conhecimento sobre as investigações e desconsiderou o inquérito. "O fato de datar de mais de um ano e meio e nada ter sido revelado sobre uma possível ameaça à segurança nacional significa que nada foi encontrado", disse. /THE NEW YORK TIMES

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