Stefani Reynolds/Getty Images/AFP
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FBI alerta para atos de grupos armados em Estados americanos

Memorando sigiloso da agência confirmou que grupos de extrema direita planejam manifestações nas capitais dos 50 Estados americanos; autoridades reforçam a segurança para evitar novas invasões em nível local

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2021 | 10h00
Atualizado 12 de janeiro de 2021 | 11h57

WASHINGTON - O FBI fez um alerta de que grupos de extrema direita planejam manifestações armadas nas capitais dos Estados americanos para este fim de semana. Menos de uma semana após a invasão do Capitólio, o alerta provocou uma corrida entre os Estados para reforçar a segurança em prédios governamentais para evitar que as cenas vistas em Washington se repitam em escala local.

O alerta esteve em um memorando, que é uma espécie de "produto bruto de inteligência", compilando informações coletadas pelo FBI e por outras agências governamentais. Algumas das ameaças não foram verificadas e provavelmente haverá diferença entre os atos de um lugar para o outro, no entanto, a informação é de que há planos em todas as 50 capitais.

Os dados destacados para as forças de segurança são preocupantes - havia informações que sugeriam que as pessoas poderiam invadir escritórios do governo ou iniciar um levante se o presidente Donald Trump for retirado do cargo.

O FBI se recusou a comentar o memorando, que foi revelado em primeira mão pela ABC News. "Nosso foco não está em manifestantes pacíficos, mas naqueles que ameaçam sua segurança e a segurança de outros cidadãos com violência e destruição de propriedade", disse a agência em um comunicado.

Autoridades de muitos Estados já começaram a tomar medidas para aumentar a segurança e planejar respostas mais duras para os protestos em comparação ao que foi visto na semana passada.

No sábado, 9, manifestantes armados cercaram o Capitólio de Kentucky. Vestidos com roupas camufladas e carregando armas de assalto e algemas, prometeram continuar a apoiar Trump enquanto protestavam contra o governador democrata Andy Beshear e o líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell.

Em Wisconsin, funcionários do Estado começaram a tapar as janelas do Capitólio estadual na segunda, em antecipação aos manifestantes. No Arizona, os oficiais ergueram uma cerca de arame de dupla camada ao redor do complexo do Capitólio em Phoenix.

Em Michigan, um Estado que é observado com atenção desde que o FBI interrompeu um complô em outubro para sequestrar a governadora democrata Gretchen Whitmer, um comitê legislativo estadual votou na quinta para proibir os residentes de portar armas dentro do Capitólio em Lansing.

O governador democrata de Washington, Jay Inslee, convocou 750 soldados da Guarda Nacional para ajudar a proteger o Capitólio, onde a legislatura deu início a sua sessão anual na segunda-feira. "Esperamos por ações pacíficas, mas se isso não acontecer, estaremos preparados", disse em comunicado. 

A ação de Inslee seguiu-se ao ataque da multidão na semana passada à mansão do governador, no mesmo dia em que uma multidão pró-Trump invadiu o Capitólio dos EUA, resultando na morte de cinco pessoas, incluindo um policial. Um vídeo do distúrbio mostra um homem com um rifle de assalto e uma grande faca em frente à residência de Inslee, enquanto outros manifestantes estão por perto segurando bandeiras de Trump.


Em uma videoconferência na segunda-feira, o governador Gavin Newsom, da Califórnia, disse que “todos estão em alerta máximo” para os protestos em Sacramento nos próximos dias. A Guarda Nacional pode ser enviada se necessário e a Patrulha Rodoviária da Califórnia, responsável por proteger o Capitólio, também estava à procura de qualquer violência. “Posso garantir que temos um nível de segurança cada vez mais elevado”, disse ele.

A Geórgia já viu problemas nos últimos dias. Ao mesmo tempo em que os manifestantes invadiam o Capitólio dos EUA em Washington na semana passada, apoiadores armados de Trump apareceram do lado de fora do palácio do governo na Geórgia. Policiais escoltaram o secretário de Estado, Brad Raffensperger, que recusou as tentativas do presidente Trump de descrever a eleição presidencial como fraudulenta.


A senadora estadual democrata Jenifer Jordan, da Geórgia, observou que muitas das medidas de segurança implementadas, incluindo a construção de uma cerca alta de ferro ao redor do edifício do Capitólio, foram decididas durante as manifestações de justiça social, quando os manifestantes cercaram muitos edifícios do governo.

Agora, disse ela, a ameaça vem do outro extremo do espectro político. “Essas pessoas são claramente sérias, estão armadas, são perigosas”, disse Jordan. "Pelo que vimos na semana passada, elas realmente não se importam com quem estão tentando matar”.

Volatilidade 

Alex Friedfeld, um pesquisador investigativo do Centro de Extremismo da Liga Antidifamação, disse que ainda há uma volatilidade considerável em torno de quem planeja se manifestar em edifícios de capitais estaduais no domingo.

Ele adverte que os eventos nos Estados ainda podem ter adesão por outros grupos extremistas ou apoiadores aleatórios de Trump, embora ainda não tenha visto muitas conversas online que indicariam que os protestos estarão lotados.

"Não vi pessoas falando sobre invadir as capitais, mas esse sentimento ainda está lá e é possível que as pessoas apareçam", disse Friedfeld. "E se os acontecimentos de quarta nos ensinaram alguma coisa, é que não podemos ignorar os acontecimentos da direita e simplesmente não podemos presumir que não será nada. Temos de levar essas coisas a sério."

E independentemente de quantos e em quais Estados os protestos se materializem neste fim de semana, Friedfeld disse que as capitais estaduais continuarão a ser a linha de frente das cada vez mais violentas batalhas culturais e políticas do país. / W. Post e NYT 

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