REUTERS/Joshua Roberts
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FBI alertou em maio sobre crescente ameaça dos supremacistas brancos

Segundo relatório publicado pela 'Foreign Policy', esses grupos cometeram mais ataques do que qualquer outro grupo extremista nos EUA nos últimos 16 anos

O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 05h00

WASHINGTON - O FBI e o Departamento de Segurança Interna advertiram em maio que grupos supremacistas brancos haviam cometido mais ataques do que qualquer outro grupo extremista nos EUA nos últimos 16 anos e possivelmente cometerão mais ataques, indicou um relatório de inteligência obtido pela revista Foreign Policy.

Apesar de o presidente Donald Trump continuar resistindo em atribuir a violência a supremacistas brancos e grupos de extrema-direita, agências federais deixaram claro que esse tipo de extremistas representam uma séria ameaça.

A marcha "Unite the Right" (ou "Unir a Direita") realizada em Charlottesville, Virginia, atraiu centenas de supremacistas brancos, neonazistas e membros da Ku Klux Klan, desatou uma ondsa de violência no fim de semana e resultou em 34 feridos e 3 mortos. Uma mulher de 32 anos, Heather Heyer, morreu atropelada por um carro que investiu contra uma multidão que protestava contra a marcha racista. O motorista, James Alex Fields Jr., foi preso e indiciado por homicídio qualificado e lesão corporal dolosa.

O FBI concluiu que supremacistas brancos, incluindo neonazistas e membros da Klu Klux Klan são os principais responsáveis pelos ataques extremistas cometidos nos EUA. De acordo com o relatório, os supremacistas foram responsáveis por 49 homicídios em 26 ataques de 2000 a 2016, mais do que qualquer outros movimentos extremista nos EUA.

Um estudo independente compilado pelo Fundo Investigativo do Instituto Nacional revelou que entre 2008 e 2016, complôs e ataques da extrema-direita foram o dobro com relação aos incidentes relacionados a extremistas islâmicos.

Só em 2016, segundo o relatório da inteligência americana, grupos supremacistas e extremistas brancos cometeram um ataque letal e outros cinco com potencial de mortes. Todos tinham como alvo minorias relogiosas ou raciais, "incluindo latinos, afro-americanos, um estudante chinês e uma pessoa identificada como judia".

Um porta-voz do FBI disse que a agência não comentava relatórios específicos, mas informou que ele era "parte do contínuo diálogo entre as forças da lei e o FBI rotineiramente compartilha informações sobre potenciais ameaças para proteger as comunidades às quais elas servem".

 

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