AFP / Rob Kerr
AFP / Rob Kerr

FBI cerca área ocupada há mais de um mês por milícia armada no Oregon

Ocupação começou no dia 2 de janeiro, quando um grupo de milicianos armados tomou um edifício da reserva natural de Malheur 

O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2016 | 13h55

WASHINGTON - A polícia federal dos Estados Unidos (FBI) cercou na quarta-feira as instalações do governo dentro de um parque natural no Estado do Oregon, no oeste do país, que permanecem ocupadas há mais de um mês por uma milícia armada, em uma tentativa de conseguir a saída dos quatro milicianos que permanecem no refúgio.

"O FBI tomou medidas para conter os ocupantes que restam ao posicionar agentes em barricadas imediatamente à frente e atrás da área onde estão acampados. As negociações entre os ocupantes e o FBI continuam. Não houve disparos", disse em comunicado à divisão do FBI em Portland, no Oregon.

A ação dos agentes visa acabar com uma ocupação que começou no dia 2 de janeiro, quando um grupo de milicianos armados tomou um edifício da reserva natural de Malheur como parte de um protesto em apoio a dois fazendeiros, que haviam sido condenados por realizar queimadas em um terreno rural do governo sem permissão.

Em pouco tempo, pessoas de todo o país se juntaram ao grupo. No entanto, em 26 de janeiro, o líder Ammon Bundy foi detido por agentes federais e pediu a seus seguidores que deixassem o local.

Segundo o jornal The Oregonian, há apenas quatro pessoas no refúgio, que não estão dentro do edifício mas estão acampadas ao ar livre: David Fry, de Ohio; Jeff Banta, de Elko (Nevada); e o casal formado por Sean e Sandy Anderson, de Riggins (Idaho).

Um ativista conhecido como Gavin Seim publicou no YouTube uma suposta gravação de áudio ao vivo do cerco, na qual era possível ouvir uma mulher que se identifica como Sandy Anderson gritar: "Por favor, não nos deixem morrer em vão esta noite! Se atirarem contra a gente e nos matarem, isto vai virar uma revolução!".

Michele Fiore, legisladora estadual de Nevada que há dois anos ofereceu apoio ao pai dos irmãos Bundy em uma disputa com o governo, se ofereceu para ser a mediadora entre os milicianos e o FBI, para garantir que tudo se resolva de forma pacífica, e sugeriu aos ocupantes que deixassem o local juntos. "Não estou pedindo que se rendam", disse Fiore aos ocupantes por telefone enquanto se dirigia ao refúgio.

Sandy Anderson garantiu a Fiore que eles não sairiam do refúgio sem suas armas, enquanto seu marido exigiu que o governo federal retirasse as acusações que apresentou na semana passada contra os quatro por supostas "ameaças" a funcionários.

Depois de um tempo, Sean Anderson anunciou uma "concessão": assim que o sol nascesse na quinta-feira, os quatro deixariam o refúgio se obtivessem permissão para estarem acompanhados por Fiore e pelo pastor Franklin Graham. Além disso, Sean disse que o FBI tinha que propor a eles sua própria "concessão".

Acredita-se que os quatro milicianos pertencem à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e os mesmos interrompiam frequentemente as negociações retransmitidas ao vivo para rezar.

A tensão aumentou no refúgio há duas semanas, quando Lavoy Finicum, considerado o porta-voz da milícia, morreu em um enfrentamento com os agentes do FBI que haviam feito uma emboscada em uma estrada nos arredores de Burns, cidade do Oregon que foi o epicentro do protesto.

O agente especial do FBI no Oregon, Greg Bretzing, explicou no comunicado que decidiu cercar o refúgio porque "chegou o momento no qual é necessário tomar medidas para garantir a segurança dos que se encontram no refúgio, dos agentes no local, e das pessoas que vivem e trabalham na área". /EFE

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