Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Conselheiro especial americano convoca grande júri em investigação sobre Rússia

Grandes júris são poderosas ferramentas de investigação que permitem que procuradores exijam documentos, intimem testemunhas e entrem com acusações, caso haja evidência de crime

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 18h43
Atualizado 03 Agosto 2017 | 19h45

WASHINGTON - O conselheiro especial Robert Mueller convocou um grande júri em Washington para investigar as alegações de interferência da Rússia nas eleições de 2016, afirmou o jornal Wall Street Journal nesta quinta-feira, 3, citando duas pessoas familiarizadas com o assunto.

O grande júri iniciou seu trabalho nas últimas semanas e é um sinal de que o inquérito de Mueller sobre os esforços da Rússia para influenciar as eleições e se houve conluio com a campanha do presidente Donald Trump está crescendo, disse o jornal.

Ty Cobb, conselheiro especial do presidente, disse que não estava ciente de que Mueller começou a usar um grande júri. "Assuntos de grande júri são tipicamente secretos", disse. "A Casa Branca apoia qualquer coisa que acelere a conclusão de seu trabalho justamente e está comprometida em cooperar com Mueller".

Grandes júris são poderosas ferramentas de investigação que permitem que procuradores exijam documentos, intimem testemunhas e entrem com acusações, caso haja evidência de crime.

Os acontecimentos se desenvolvem em meio a preocupações do Congresso de que a independência de Mueller precise ser protegida. Os senadores Thom Tillis (republicano) e Chris Coons (democrata) introduziram um projeto de lei hoje para dificultar a demissão de Mueller por Trump.

De acordo com um relatório de agências de inteligência dos EUA, autoridades do governo russo estavam diretamente envolvidas na interferência nas eleições, através de ataques cibernéticos nos sistemas eleitoras, vazamento de informações de estrategistas políticos e comitês de partidos e disseminando notícias negativas sobre a então candidata democrata, Hillary Clinton, nas redes sociais.

Trump questionou a neutralidade da equipe de Mueller e disse à Fox News que está preocupado que os procuradores de Mueller sejam "apoiadores de Hillary Clinton" e a mulher de Mueller e do ex-diretor do FBI James Comey sejam amigos. O presidente nega que tenha havido essa influência para ajudá-lo na campanha que o elegeu e se diz vítima de uma “caça às bruxas”. 

O Congresso e o FBI também conduzem investigações separadas sobre o caso. Durante a investigação do FBI, Trump demitiu Comey. O assessor de Segurança Nacional, Michael Flynn, deixou o cargo depois de omitir ter se reunido com representantes russos durante a transição. 

O secretário de Justiça Jeff Sessions declarou-se impedido de conduzir a investigação por também ter se reunido com agentes russos durante a transição. Ainda hoje, a rede de TV CNN informou que Muller encontrou irregularidades em registros financeiros nas empresas de Trump que não estariam ligados à investigação da Rússia. / REUTERS e Dow Jones Newswires

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