FBI dá detalhes do cerco a Montesinos

A polícia federal norte-americana (FBI, por sua sigla em inglês) forneceu detalhes, nesta quinta-feira, sobre as investigações que levaram à prisão, na Venezuela, de Vladimiro Montesinos, ex-assessor de segurança do Peru, e forneceu também o nome do informante que supostamente delatou o fugitivo.Em um evidente esforço para defender sua participação na operação, o FBI revelou trechos de diversas mensagens de correio eletrônico nas quais Montesinos, de seu refúgio em Caracas, ameaçava diretores de um banco de Miami que se negavam a lhe entregar milhões de dólares que estavam em sua conta."Eu vou sempre até o fim e, quando ajo assim, o faço de forma decisiva", afirmou Montesinos em mensagem dirigida ao gerente do Pacific Credit Miami, subsidiária de um banco das Ilhas Grande Caiman, no Caribe.O FBI calcula que Montesinos guardava cerca de US$ 38 milhões nessa conta, voluntariamente congelada pelo banco.O ex-assessor peruano advertiu que seus homens de confiança em Miami estavam vigiando os diretores do banco e que ele (Montesinos) estava disposto a agir com a mesma determinação que mostrou durante uma ofensiva contra a Embaixada do Japão em Lima, onde eliminou um comando de seqüestradores.As ameaças feitas por Montesinos aos executivos do banco fazem parte de uma acusação federal apresentada nesta quinta-feira em Miami contra o ex-agente de inteligência da Venezuela José Guevara, quem supostamente revelou o paradeiro de Montesinos.Guevara foi inicialmente confundido com seu primo, José Otoniel Guevara, o que aparentemente levou as autoridades venezuelanas a levantarem dúvidas sobre o envolvimento do FBI na captura de Montesinos.O jornal The Miami Herald garantiu nesta quinta-feira que um funcionário do Poder Judiciário do Peru afirmou que, "a respeito da identidade do informante venezuelano, temos de creditar ao FBI".Um porta-voz do FBI informou nesta quinta-feira que José Guevara abandonou o serviço venezuelano de inteligência em 1999, logo depois de o presidente Hugo Chávez chegar ao poder. Não se sabe quando ele começou a atuar sob as ordens de Montesinos.Segundo a mesma fonte, Guevara foi preso na sexta-feira após um encontro com um gerente do Pacific Credit no lobby do Hotel Intercontinental de Miami, onde tentou pressioná-lo para conseguir a liberação do dinheiro de Montesinos.Durante o interrogatório, Guevara supostamente teria dito que era encarregado pela segurança de Montesinos em Caracas, apontando diretamente para a casa onde ele se encontrava escondido.O porta-voz do FBI disse ainda que, horas antes de sua captura em Caracas, Montesinos conversou por telefone com Guevara, ignorando que este já estava detido em Miami.O diretor do FBI em Miami, Héctor Pesquera, afirmou ao The Miami Herald que os detalhes sobre o caso de Guevara foram compartilhados com a polícia do Peru, mas que as autoridades norte-americanas e peruanas duvidaram da posição de seus colegas venezuelanos."O governo do Peru pensava, assim como nós, que o governo venezuelano tinha conhecimento da presença do senhor Montesinos em seu território", disse Pesquera.Segundo o FBI, a captura de Montesinos ocorreu quando Guevara telefonou a um colega em Caracas, o ex-policial venezuelano José Luis Nuñez, que se comprometeu a entregar o fugitivo peruano em frente à Embaixada do Peru, na capital da Venezuela.No entanto, por motivos ainda não determinados pelo FBI, as autoridades venzuelanas tomaram conhecimento do que estava ocorrendo, se anteciparam e prenderam Montesinos para entregá-lo a Lima.Pesquera disse que Guevara aceitou trair Montesinos por dois motivos: para não ser processado por extorsão nos Estados Unidos e por uma promessa do Peru referente a uma recompensa de US$ 5 milhões para revelar o paradeiro do fugitivo.

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