Melina Mara/Washington Post
Melina Mara/Washington Post

FBI descobre mais 15 mil documentos de Hillary ligados à polêmica dos e-mails

Documentos, não revelados anteriormente, representam quase 50% do total entregue pela democrata ao Departamento de Estado em 2014; organismo se comprometeu a publicar arquivos, mas não definiu prazo

O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2016 | 16h03

WASHINGTON - A Polícia Federal dos Estados Unidos (FBI) descobriu quase 15 mil documentos não revelados vinculados ao escândalo dos e-mails da candidata democrata à presidência do país, Hillary Clinton, informou nesta segunda-feira, 22, a imprensa americana.

Os documentos foram encontrados durante a investigação do FBI sobre o uso de um servidor de e-mail privado por Hillary quando ela ocupava o cargo de secretária de Estado, entre 2009 e 2013. O número representa quase 50% dos 30 mil documentos relacionados com o assunto que os advogados de Hillary entregaram ao Departamento de Estado em 2014.

O próprio Departamento de Estado se comprometeu a publicar os documentos e assegurou nesta segunda ao juiz federal James E. Boasberg que o órgão está "dando prioridade" à revisão das novas mensagens. No entanto, ainda não se sabe se esses e-mails serão publicados antes das eleições, que acontecem no dia 8 de novembro, na qual a também ex-primeira-dama enfrentará seu rival republicano, Donald Trump, para chegar à presidência do país.

O porta-voz da democrata, Brian Fallon, disse em um comunicado que sua equipe desconhece "que tipo de material" se tratam os documentos localizados pelo FBI. 

"Como sempre dissemos, Hillary Clinton forneceu ao Departamento de Estado todos os correios eletrônicos relacionados ao seu trabalho que estavam em sua posse em 2014. Não temos certeza de que material adicional se tratam os que foram localizados pelo Departamento de Justiça", disse Fallon. "Mas se o Departamento de Estado determinar que alguns destes documentos estavam relacionados com assuntos de trabalho, obviamente apoiamos que esses documentos sejam publicados também."

A polêmica pelos e-mails teve início em 2015, quando os veículos de imprensa americanos revelaram que, durante seus quatro anos no Departamento de Estado, Hillary usou durante o tempo todo uma conta particular para suas comunicações, com um servidor privado.

Hillary reconheceu então que teria sido "mais inteligente" usar uma conta oficial e entregou 55 mil páginas de e-mails de seu período como chefe do Departamento de Estado para que fossem divulgados, mas o caso gerou dúvidas sobre se Hillary tratou de maneira indevida informações sigilosas do governo ao usar sua conta pessoal.

O Departamento de Estado identificou cerca de 2,1 mil e-mails do servidor de Hillary com informação confidencial, mas assegurou que muitos deles não eram considerados classificados no momento de seu envio, mas foram rotulados como tal durante a revisão atual dos e-mails.

Além disso, o tema dos e-mails acentuou as acusações por parte da bancada republicana no Congresso sobre a má gestão da ex-secretária de Estado em relação ao ataque contra o consulado americano em Benghazi, na Líbia, em 2012, no qual morreram o então embaixador Chris Stevens e outros três funcionários do governo.

Hillary se submeteu há alguns meses a um comparecimento perante os legisladores que durou mais de 11 horas para explicar o ocorrido naquele ataque e, no início de julho, foi tornado público o relatório final dos congressistas sobre o atentado, no qual não foram encontradas provas contra a candidata democrata.

Além disso, o FBI recomendou em julho ao Departamento de Justiça que não indiciasse a candidata presidencial após finalizar suas investigações do caso dos e-mails, por isso a procuradora-geral, Loretta Lynch, seguiu suas diretrizes. / EFE

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