Jim Young/Reuters
Jim Young/Reuters

FBI detém suspeito de ameaça terrorista

Nova York reforça segurança, mas presença de policiais de uniforme nas ruas é normal

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2011 | 00h00

ESPECIAL: Dez Anos do 11 de Setembro           CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Um albanês que vive em Nova York foi preso enquanto se preparava para viajar ao Paquistão para juntar-se a um grupo radical islâmico que planeja ações contra alvos americanos, informou ontem o Ministério Público da cidade. O anúncio foi feito horas depois de as autoridades americanas alertarem para a possibilidade de um ataque terrorista às vésperas do aniversário de 10 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Agron Hasbajrami, de 27 anos, foi acusado de fornecer apoio material a terroristas e poderá ser condenado a 15 anos de prisão. Ontem, ele alegou ser inocente diante de uma Corte federal no bairro do Brooklin. O indiciamento descreve o suspeito como um "perigo à comunidade".

 

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O albanês foi preso pelo FBI na terça-feira, no Aeroporto John F. Kennedy, enquanto se preparava para embarcar em um voo em direção à Turquia, onde, segundo a acusação, ele se encontraria com militantes que o ajudariam a chegar ao Paquistão. A intenção de Hasbajrami, segundo o inquérito de 11 páginas que o acusa de envolvimento com o terrorismo, era juntar-se a radicais islâmicos que combatem as Forças Armadas americanas no Afeganistão.

O suspeito, porém, mantinha contato com um militante que fornecia informações ao FBI. Os agentes da polícia federal americana prenderam o albanês quando ele chegava ao aeroporto, com um bilhete só de ida. Hasbajrami carregava uma barraca, botas e roupas de frio, supostamente para seu treinamento nas regiões montanhosas da fronteira entre Paquistão e Afeganistão.

Segundo as autoridades, o suspeito se relacionava com radicais islâmicos desde junho de 2010 e teria transferido pelo menos US$ 1 mil a um militante no Paquistão. A polícia procura dois outros suspeitos de ter ligação com a ameaça terrorista e, segundo fontes, eles seriam americanos.

Segurança. Diante de ameaças de um atentado, Nova York adotou um esquema reforçado de segurança, que estará em vigor até amanhã, quando o presidente americano, Barack Obama, e seu antecessor, George W. Bush, participarão de uma homenagem às vítimas do 11 de Setembro no Marco Zero.

Em visita a Nova York, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, repetiu ontem as palavras do prefeito Michael Bloomberg, afirmando que há "informações críveis, mas não confirmadas, de planos para um atentado".

Um dos principais riscos, segundo analistas, seria um atentado realizado por um terrorista isoladamente. Os planos que levaram ao estado de alerta, porém, viriam de informações obtidas no Paquistão e no Afeganistão. Muitas medidas de segurança eram visíveis ontem, como um aumento do policiamento ao redor do World Trade Center, do Empire State e da Times Square. Bloqueios policiais foram feitos em pontes e túneis que dão acesso a Manhattan.

Outras estratégias para impedir um ataque, conforme disse Bloomberg, eram imperceptíveis, como ações de inteligência e espionagem na cidade e em outras partes do país.

Ontem, o Estado circulou por algumas das principais estações de metrô, trem e pontos turísticos de Nova York e percebeu um número elevado de policiais.

Na Times Square, mais de 20 carros da polícia estavam estacionados ao redor do famoso cruzamento. Mas para entrar no prédio na estação de metrô de Columbus Circle, não era preciso passar por nenhum esquema de segurança.

Na rede ferroviária, a situação não era muito diferente: na entrada da Grand Central Station havia apenas um policial fazendo anotações em um caderno. Na Penn Station, passageiros embarcavam sem passar por inspeções. Isso, apesar de o governo ter dito que encontrou documentos no esconderijo de Osama bin Laden indicando que o sistema ferroviário do país poderia ser alvo de ataque. / COM NYT

PARA LEMBRAR

Moradores não mudam rotina

Nos dias 11 de setembro, normalmente, existe um aumento sensível da segurança em Nova York, especialmente em aeroportos e pontos turísticos da cidade. No entanto, para os nova-iorquinos, o dia é encarado como uma data normal.

Escolas funcionam normalmente, assim como a Bolsa de Valores e o comércio. A cerimônia no Marco Zero costuma alterar a rotina apenas nos quarteirões ao redor, passando quase despercebida em outras partes da cidade. Nas TVs abertas, a leitura dos nomes das vítimas sempre é exibida.

À noite, nos dias que antecedem a data dos atentados, todos os anos, dois fachos de luz iluminam os céus de Manhattan em uma representação das duas torres que desabaram. Normalmente, o aniversário dos atentados também coincide com a New York Fashion Week e com o Aberto dos EUA de tênis, que atraem ainda mais turistas para a cidade.

Amanhã, além da cerimônia e desses dois importantes eventos, haverá jogos de futebol americano e de beisebol, que devem reunir dezenas de milhares de pessoas em partes diferentes da cidade.

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