FBI divulga documentos sobre maus-tratos em Guantánamo

A agência federal de investigações dos Estados Unidos (FBI) divulgou nesta quarta-feira, 3, documentos sobre maus-tratos e técnicas de interrogatório a prisioneiros presos na base naval norte-americana em Guantánamo, em Cuba.Os informes, que descrevem relatos de ao menos 25 agentes do FBI, foram divulgados a pedido da União de Liberdades Civis Americanas (ACLU, na sigla em inglês), que já os havia exigido ao ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld em nome das vítimas desses maus-tratos.Segundo um dos documentos, alguns prisioneiros eram abandonados por mais de 18 horas nas salas de interrogatório em posição fetal e "com as mãos e pés amarrados, sem água ou alimentos". Muitos deles, continua o relatório, "urinavam e defecavam" nas próprias roupas.Um dos agentes do FBI disse ter visto um prisioneiro "tremendo de frio" e outro em uma sala quente e sem ventilação "quase inconsciente sobre o chão e ao lado de mechas de cabelo" que, aparentemente, havia sido cortado durante a noite.Alguns militares disseram aos agentes do FBI que as técnicas de interrogatório tinham sido aprovadas pelo Departamento de Defesa, até novembro passado a cargo de Rumsfeld.O FBI acrescentou que a maioria dos incidentes já haviam sido revelados anteriormente e eram de conhecimento do Departamento de Defesa.Mesmo assim, a Defesa assinalou que já investigou 500 agentes que trabalham em Guantánamo desde os atentados de 11 de setembro e concluiu que nenhum deles havia participado nesse tipo de interrogatórios."Essa extensa investigação interna demonstra que o FBI não esteve envolvido neste tipo de atividades, de nenhuma maneira", afirmou Richardo Kolko, porta-voz da agência.Guantánamo possui cerca de 400 detentos, que o governo dos EUA considera "combatentes inimigos". A maioria foi capturada no Afeganistão e no Iraque após os ataques de 11/09.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.