REUTERS/Adrees Latif
REUTERS/Adrees Latif

FBI interroga mulher do atirador da Flórida e pode acusá-la de cumplicidade

Noor Zahi Salman acompanhou o autor do massacre de Orlando durante compra de munição em loja de armas, mas tentou dissuadi-lo de ataque

Cláudia Trevisan, Enviada Especial / Orlando, EUA, O Estado de S. Paulo

16 Junho 2016 | 05h00

Segunda mulher do atirador que matou 49 pessoas no clube gay Pulse, Noor Zahi Salman está no centro da investigação do caso realizada pelo FBI, a polícia federal americana, que tenta determinar se ela foi cúmplice das ações do marido. A californiana de 30 anos acompanhou Omar Mateen na compra de munição e o levou à casa noturna em uma ocasião antes do ataque.

Filha de imigrantes paquistaneses, Noor aparece em fotos sem o tradicional véu usado por mulheres muçulmanas.

Em uma delas, ela e Mateen aparecem sorrindo com o filho de 3 anos, que usa uma camiseta vermelha com a imagem de Mickey Mouse.

Ela foi interrogada pelo FBI e, segundo a imprensa americana, está colaborando com as investigações. Mas algumas de suas declarações indicam que Noor pelo menos suspeitava que seu marido planejava algum tipo de ataque. Segundo o New York Times, ele disse aos policiais que tentou dissuadi-lo de praticar qualquer ação violenta.

“Eu não vou especular a respeito de acusações que podem ser feitas”, disse nesta quarta-feira (15) Lee Bentley III, promotor da Flórida que atua no caso. “Nós não temos certeza de quais acusações serão apresentadas e se elas serão apresentadas”, ressaltou.

Fontes disseram à CNN que evidências contra Noor Salman serão apresentadas a um Grande Júri, que terá o poder de decidir se ela deve ou não ser indiciada. 

No sábado à noite, Mateen dirigiu duas horas da cidade onde vivia com a família até Orlando. Carregando um fuzil AR-15, ele entrou na Pulse e começou a atirar de maneira indiscriminada, matando 49 pessoas e ferindo outras 53. Depois do tiroteio, Mateen manteve um grupo de reféns no local, que foi cercado pela polícia. 

Telefonemas. Antes de a polícia invadir o local, o atirador ligou para o número de emergência 911 para declarar lealdade ao Estado Islâmico. Mateen também ligou para uma emissora afiliada da CNN e falou com o produtor Matthew Gentili. 

“Eu sou o atirador. Sou eu. Eu sou o atirador”, disse Mateen, segundo relato do produtor. “Eu fiz isso pelo Isis (nome pelo qual o grupo radical é conhecido em países de língua inglesa). Eu fiz isso pelo Estado Islâmico.”

Hoje o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o vice-presidente, Joe Biden, estarão em Orlando para se encontrar com parentes das vítimas do ataque. 

A viagem ocorre na véspera do aniversário de um ano do massacre de Charleston, Carolina do Sul, no qual o supremacista branco Dylann Roof matou a tiros nove pessoas reunidas para uma sessão de estudos bíblicos na Igreja Mãe Emanuel. 

No começo da semana, Obama disse que não há indícios de ligação direta entre Mateen e o Estado Islâmico. Segundo ele, o ataque parece mais um caso de terrorismo doméstico, no qual pessoas se radicalizam por inspiração da organização, mas não seguem ordens explícitas de seus líderes.

O presidente comparou o atentado de Orlando ao de San Bernardino, no qual um casal matou 14 pessoas a tiros e declarou lealdade ao Estado Islâmico.

Obama também reiterou sua defesa de regras mais rigorosas sobre a venda de armas, que estabeleçam verificações mais rígidas de antecedentes criminais e saúde mental e restrinjam o acesso a fuzis de características militares.

Antes do ataque da madrugada de domingo, Mateen havia sido investigado duas vezes por agentes do FBI.

A primeira, em 2013, quando um colega de trabalho disse que ele ameaçou realizar atentados terroristas. No ano seguinte, ele voltou ao radar da agência federal por ter tido contato com Moner Mohammad Abu-Salha, o primeiro americano a atuar como um homem-bomba na Síria. Abu-Salha vivia Fort Pierce, onde Mateen morava, e ambos frequentaram a mesma mesquita. Nas duas ocasiões, o FBI encerrou as investigações por falta de evidências que incriminassem Mateen.

Relatos de testemunhas também indicaram que Mateen já tinha ido várias vezes à Pulse e mantinha um perfil numa rede social destinada a promover encontros gays. 

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