Evan Vucci / AP Photo
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FBI investiga encontro de genro de Trump com autoridades russas

Kushner, que hoje é assessor da Casa Branca, se reuniu com diplomatas e banqueiros russos ainda em 2016

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 19h58

WASHINGTON - Jared Kushner, genro do presidente americano, Donald Trump, tornou-se o foco das investigações do FBI sobre a interferência da Rússia na eleição de 2016, informaram nesta quinta-feira o jornal Washington Post e a rede de TV NBC. Assessor especial do presidente, ele é considerado pelo FBI um dos principais suspeitos no caso. No começo do mês, Trump demitiu o então diretor do FBI, James Comey, responsável pela investigação. 

A polícia federal americana está examinando uma série de encontros de Kushner, um dos assessores mais próximos de Trump, com diplomatas e banqueiros russos. A natureza desses encontros está sendo apurada, mas o assessor não foi formalmente acusado de nenhum crime.

Na semana passada, o Washington Post publicou que um assessor próximo de Trump era considerado “alvo de interesse” da investigação sobre a Rússia, mas, na ocasião, não citou o nome de Kushner. Na linguagem do FBI, “alvo de interesse” quer dizer alguém que é o principal suspeito envolvido na investigação, ainda que a promotoria possa indiciar pessoas sem essa distinção específica.

“O senhor Kushner previamente se dispôs a dividir com o Congresso o que sabe sobre esses encontros. Fará o mesmo, se contatado, sobre qualquer outra investigação”, disse Jamie Gorelick, seu advogado. 

A porta-voz do Departamento de Justiça, Sarah Isgur Flores, disse que não pode nem confirmar nem negar a existência da investigação, tampouco seus alvos. O FBI negou-se a comentar o caso. Agentes investigam também o ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn e o ex-chefe de campanha de Trump, Paul Manafort, como possíveis contatos da equipe do republicano com Moscou ainda durante a campanha. 

Em dezembro, já durante a transição entre os governos de Obama e Trump, Kushner se reuniu em Nova York com o embaixador russo Serguei Kislyak. Dias depois, um enviado seu encontrou-se com o diplomata.

Contatos entre a equipe de transição e governos estrangeiros são rotineiros, mas eles não foram tornados públicos pelo assessor. Flynn, demitido por Trump por omitir da Justiça contato com agentes russos e outro alvo do FBI na investigação, estava nessa reunião. 

Kushner também reuniu-se em dezembro com Serguei Gorkov, CEO do Vnesheconombank – banco submetido a sanções pelo governo americano desde a anexação da Crimeia, em 2014, e conhecido por apoiar separatistas pró-Rússia na Ucrânia. Além dos encontros de dezembro, Kushner, Flynn e o secretário de Justiça de Trump se reuniram, no primeiro semestre de 2016, no Hotel Mayflower, em Washington, com Kislyak. 

Segundo o New York Times, Kushner omitiu esses encontros com Kislyak e Gorkov de seus formulários de segurança quando foi nomeado assessor da Casa Banca. Seus advogados dizem que houve um equívoco no preenchimento dos formulários e os encontros foram normais e sem consequência. 

Trump tem enfrentado críticas em razão da investigação sobre a Rússia. Ainda de acordo com o Times, em reuniões com o ex-diretor do FBI, o presidente perguntou se era possível deixar a investigação “para lá”.

No dia seguinte à demissão de Comey, ele comentou a medida com Kislyak e o chanceler russo, Serguei Lavrov, na Casa Branca, dizendo que tinha aliviado a pressão sobre seu governo. Isso indica que a demissão do funcionário que vinha comandando a investigação sobre os russos tinha a ver com essa apuração. O governo argumentou que ele foi dispensado por incompetência. / WASHINGTON POST

 

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