FBI não acha ligação entre antraz e atentados

Nenhuma ligação foi ainda estabelecida entre os atentados terroristas de 11 de setembro e os ataques com antraz que estão aterrorizando os Estados Unidos, afirmou hoje o diretor do FBI, Robert Mueller. "Até este momento, não está claro se as poucas confirmadas exposições ao antraz foram provocadas pelo terrorismo organizado", disse Mueller na Conferência dos Prefeitos dos EUA. "Mas esses ataques visam claramente aterrorizar um país já em seus limites". Ele garantiu aos prefeitos que a polícia federal norte-americana está destinando recursos sem precedente - um de cada quatro de seus funcionários - para as investigações dos atentados e do antraz. O diretor afirmou que mais de 7.000 agentes do FBI estão participando das investigações. Três cartas contendo esporos de antraz que foram tornadas públicas na terça-feira trazem a frase "Morte à América" e no topo a data de "11-09-01", indicando que os casos de antraz foram coordenados. O Departamento de Justiça divulgou cópias das cartas, enquanto buscava ajuda do público na identificação dos responsáveis pelos ataques pelos correios que já mataram três pessoas e infectaram outras dezenas. As cartas apresentam outras semelhanças que sugerem que os ataques com antraz em Nova York, Washington e Flórida foram um esforço organizado. O tipo de antraz encontrado em duas cartas e a bactéria descoberta numa editora da Flórida são semelhantes. E todas as três cartas foram enviadas de Trenton, New Jersey. As cartas endereçadas ao apresentador Tom Brokaw, da tevê NBC, e ao New York Post parecem idênticas. As duas advertem ao receptor para "Tomar penicilina agora", com a palavra penicilina grafada incorretamente (no inglês, penacilin em vez de penicillin), e também afirma, "Morte à América", "Morte a Israel" e "Alá é Grande". Os envelopes enviados ao New York Post, a Brokaw e ao líder da maioria no Senado, Tom Daschle, foram escritos com o mesmo tipo de caligrafia, em letras maiúsculas e tombadas para a direita. A carta enviada a Daschle contém sete linhas escritas com a mesma grafia. "Você não pode nos parar. Temos este antraz. Você vai morrer agora. Você está com medo? Morte à América. Morte a Israel. Alá é Grande". No topo dos três envelopes foi escrita a data "11-09-01" com a mesma caligrafia. As cartas para Brokaw e para o jornal foram postadas em 18 de setembro. O envelope a Daschle foi enviado em 9 de outubro. O secretário da Justiça John Aschcroft disse esperar a divulgação das fotos das cartas traga novas pistas por parte do público. Apesar das datas das cartas, Aschcroft afirmou que não foi ainda possível provar uma ligação delas com os homens que sequestraram os aviões no mês passado. Especialistas consideraram que a divulgação das cartas é uma indicação de que os investigadores acreditam estar lidando com terroristas domésticos buscando capitalizar os atentados de 11 de setembro. Eles lembraram que as autoridades conseguiram apanhar Theodore Kaczynski, o chamado Unabomber, depois de divulgarem seu "manifesto" de 35.000 palavras, que foi reconhecido pelo irmão dele. Leia o especial

Agencia Estado,

24 Outubro 2001 | 20h17

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