AP Photo/John Bazemore
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FBI pede ao Departamento de Justiça que rejeite alegações de grampo feitas por Trump

De acordo com membros do alto escalão do governo americano, diretor da agência argumentou que as acusações do presidente americano são falsas e devem ser corrigidas; Casa Branca dá indícios de que não recuará

O Estado de S.Paulo

05 de março de 2017 | 19h01

WASHINGTON - O diretor do FBI, James Comey, pediu ao Departamento de Justiça dos EUA que rejeite publicamente nesta semana as alegações do presidente Donald Trump de que seu antecessor, Barack Obama, teria ordenado o monitoramento dos telefones do republicano, disseram neste domingo, 5, membros do alto escalão do governo. 

Comey teria argumentado que as acusações de Trump são falsas e devem ser corrigidas, disseram as fontes. Até o momento, nem o FBI e nem o Departamento de Justiça dos EUA comentaram oficialmente o caso. Além disso, os porta-vozes da agência e da pasta também se recusaram a falar sobre a iniciativa do diretor do FBI.

O pedido do diretor do FBI teria sido feito ainda no sábado, depois que Trump publicou as acusações em sua conta pessoal no Twitter. Comey estaria tentando convencer o Departamento de Justiça a desmentir o presidente americano em razão da falta de evidências para confirmar as acusações e pelo fatos e as acusações do líder implicarem numa suposta atuação à margem da lei da agência.

A possível divulgação de uma nota oficial pelo Departamento de Justiça ou pelo próprio diretor do FBI refutando as alegações de Trump seria uma repreensão notável ao presidente em exercício, colocando os principais funcionários responsáveis pelo cumprimento das leis nos EUA em posição de questionar a veracidade do líder.

A Casa Branca não dá indicativos de ele irá recuar das afirmações de Trump. Neste domingo, Trump exigiu um inquérito do Congresso para saber se Obama havia abusado do poder das agências federais antes da eleição presidencial de 2016. Em uma declaração de seu porta-voz, o presidente afirmou que os "relatos" sobre as escutas telefônicas eram "muito preocupantes" e disse que o Congresso deveria examiná-los como parte de suas investigações sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições.

Comissões. Membros das comissões de Inteligência do Congresso dos Estados Unidos afirmaram neste domingo que investigarão a alegação de Trump de que o ex-presidente Obama teria ordenado o monitoramento dos telefones do republicano.

"Tenho certeza que esse tema será parte de nossa investigação" sobre a interferência da Rússia nas eleições presidenciais, disse o senador republicano pelo Arkansas, Tom Cotton. A também republicana Susan Collins, do Maine, pediu que Trump entregue qualquer evidência que tenha para a Comissão de Inteligência do Senado e sugeriu que ele pare de comentar publicamente sobre as alegações. "O que nós precisamos lidar é com evidências, não apenas comentários", afirmou.

Susan disse também que a comissão pode pedir ao presidente que divulgue seus impostos de renda, o que Trump até agora se recusou a fazer, caso as evidências sugiram que esses documentos sejam importantes para a investigação.

O senador republicano pela Califórnia, Devin Nunes, líder da comissão de Inteligência, afirmou em comunicado que o painel está examinando, entre outras coisas, a resposta das autoridades americanas às ações da Rússia durante a campanha presidencial.

"O comitê fará questionamentos sobre se o governo estava conduzindo atividades de espionagem em qualquer campanha presidencial de qualquer partido e continuaremos a investigar a questão se as evidências forem fortes", disse Nunes. / NYT e AP

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