FBI prende mafioso que inspirou o filme 'Os Infiltrados'

James 'Whitey' Bulger, foragido desde 1995, é acusado de 19 mortes e era um dos 10 mais procurados pelo FBI

The New York Times, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2011 | 00h00

James "Whitey" Bulger, o lendário chefão da máfia de Boston, acusado de 19 assassinatos e membro da lista dos 10 Mais Procurados pelo FBI, foi preso anteontem em Santa Monica, na Califórnia. Sua detenção colocou fim a uma caçada que começou após seu desaparecimento, há 16 anos. Ele inspirou o filme Os Infiltrados, com o qual o diretor Martin Scorsese ganhou o Oscar, em 2007.

Whitey Bulger foi preso sem incidentes em uma residência particular com sua companheira, Catherine Greig, que se tornou foragida com ele em 1995, segundo o FBI. A prisão foi feita depois que a agência, frustrada nas suas tentativas para encontrar o mafioso, passou a fazer anúncios em programas de TV dirigidos ao público feminino como parte dos seus esforços para encontrar Bulger por meio da mulher. O FBI também dobrou para US$ 100 mil a recompensa paga por informações que pudessem levar à sua prisão.

O caso deixou a polícia americana em uma situação embaraçosa por muito tempo. Whitey Bulger, de 81 anos, foi um informante da agência federal que desapareceu em 1995 depois de um agente do próprio FBI alertá-lo de que poderia ser preso.

Segundo o FBI, o casal foi localizado com base numa pista obtida depois da campanha pública sobre o caso. Catherine Greig, que trabalha com higiene dentária, tem hábitos peculiares. Ela teria se submetido a diversas cirurgias plásticas, fazia limpeza dos dentes uma vez por mês, frequentava salões de beleza e adorava cachorros.

Os anúncios divulgados na TV tinham por objetivo chamar a atenção de mulheres mais velhas que assistem a programas femininos diariamente e poderiam ter se deparado com Catherine, de 60 anos, algum dia em um salão de beleza. O FBI comprou 350 horários em 14 cidades para veicular o anúncio de 30 segundos. Entre essas cidades estavam as de San Francisco e San Diego, mas não Los Angeles.

"Existe alguém nos EUA ou em qualquer outra parte do mundo que deve conhecer Catherine, ou como uma vizinha, uma amiga ou colega de trabalho", disse o agente do FBI Richard DesLauriers.

Não foi a primeira vez que o FBI montou uma campanha publicitária concentrada em Catherine. No ano passado, a agência comprou anúncios na Agência Americana de Dentistas nos quais perguntava: "Você tratou esta mulher?"

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