FBI vê ligação entre atentados na África, no Iêmen e nos EUA

Nomes, relações financeiras e pistas que ligam os atentados de 1998 na África com os de 11 de setembro fazem parte de um relatório que a diplomacia norte-americana exibe em todo mundo como prova da responsabilidade do milionário saudita Osama bin Laden. Segundo fontes diplomáticas, as provas recolhidas pelo FBI nos últimos dias são mostradas em um dossiê encadernado em estilo empresarial. Confiabilidade Cada país recebe mais ou menos as informações de acordo com o grau de confiabilidade. À Grã-Bretanha contou-se muita coisa; ao restante da Otan contou-se um pouco menos. Por sua vez, os países árabes aliados receberam apenas metade das informações cuja difusão foi autorizada. Mas o ponto forte da tese da pesquisa são os vínculos entre os atentados de 1998 contra as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia e os ataques de 11 de setembro contra as torres gêmeas do World Trade Center e a sede do Pentágono. A Base Fontes do governo revelaram que os EUA garantem ter provas de que os terroristas de 11 de setembro teriam participado dos atentados na África, também atribuídos ao grupo Al-Qaeda (A Base), a rede terrorista de Bin Laden. Aos países aliados, foi entregue um panorama histórico sobre o grupo e sua participação nos atentados de 7 de agosto de 1998, que deixaram 224 mortos nas embaixadas norte-americanas. Suicida Ainda de acordo com o informe, foram encontradas ligações com o ataque suicida de 12 de outubro contra o destróier norte-americano USS Cole no Porto de Áden, Iêmen, o qual deixou 17 mortos. Washington explicou a seus aliados que tem provas de que pelo menos quatro dos 19 terroristas acusados pelos ataques nos Estados Unidos foram treinados em campos paramilitares da Al-Qaeda no Afeganistão. Chechênia Da Rússia chegaram as informações sobre o treinamento fornecido por organizações ligadas à rede de Bin Laden na Chechênia a outros terroristas mortos nos ataques contra os Estados Unidos. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sinalizou que os atentados contra Moscou e os de Nova York e Washington "são obra da mesma mão". Congelados O secretário norte-americano de Tesouro, Paul O´Neill, disse terem chegado do exterior muitas informações para bloquear contas dos terroristas. Cerca de US$ 100 milhões foram congelados em todo o mundo. No entanto, os investigadores encontram-se perante o sistema "hawala", o antigo método de lavagem de dinheiro dos países árabes, por meio do qual Bin Laden seria capaz de fazer circular milhões de dólares em todo o mundo. Novo atentado O FBI confirmou que não tem "informações específicas sobre algum novo atentado contra os Estados Unidos", mas também não as tinha antes dos ataques de 11 de setembro. Dias antes desta data, um escritório do FBI pediu autorização, no fim de agosto, para inspecionar os computadores de um suspeito de terrorismo conhecido como Moussaoui, mas não obteve autorização do Departamento de Justiça dos EUA. Agora, foram encontrados neste computador elementos que conduzem a projetos de atentados com a utilização de aviões comerciais. O FBI suspeita que Moussaoui poderia ser o 20º membro do comando suicida, mas não conseguiu estar livre na data escolhida para os ataques contra Washington e Nova York.

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