Fed e bancos vão injetar bilhões no mercado

O Federal Reserve e os maiores bancos de Wall Street estão se preparando paragastar bilhões de dólares para apoiar o mercado acionário norte-americano, que reabrirá nesta segunda-feira apóspermanecer fechado desde os ataques terroristas de terça-feira passada, informou neste domingo o jornal britânicoThe Observer.Um comitê secreto intitulado "Grupo de Trabalho sobre Mercados Financeiros", que incluibanqueiros, representantes da Bolsa de Valores de Nova Iorque, Nasdaq e do Tesouro, está pronto paraparticipar de uma ação do Federal Reserve "numa escala sem precedentes".O Fed, apoiado pelosbancos, vai comprar ações de fundos mútuos e outros vendedores institucionais se houver sinais de pânico.As autoridades norte-americanas estão determinadas a evitar uma queda global dos mercados, comoocorreu em 1929 ou 1987.Bancos de investimentos e suas corretoras vão dificultar movimentosespeculatórios de investidores e fundos hedge tornando mais difícil para eles obterem preços em termosfavoráveis.Além disso, as autoridades norte-americanas estão preparadas para relaxar as regras queprevinem as empresas de comprar as suas próprias ações.O "Grupo de Trabalho sobre Mercados Financeiros" foi criado por uma ordem direta do ex-presidenteRonald Reagan em 1989 e abriga representantes de bancos como o Merrill Lynch e o Goldman Sachs. Elejá atuou algumas vezes, como no início da década passada e em 1998 durante a crise do fundo hedgeLTCM.Mas há dúvidas sobre se essa ação coordenada conseguirá evitar um gigantesco movimento devenda em Wall Street. A expectativa com a reabertura da Bolsa de Valores de Nova Iorque foi um dosassuntos de destaque da imprensa européia neste domingo, com previsões não consensuais sobre como ela deveráse comportar.Para alguns analistas, haverá uma elevação nos primeiros dias de pregão, um efeitoemocional que está sendo chamado de "patriótico", mas que deverá durar pouco, sendo seguido poruma acentuada queda.Outros acreditam que o mercado acionário, que já vinha registrando perdas antesdos ataques, irá despencar desde o início, com as ações perdendo cerca de 10% do seu valor até atingirum patamar de estabilização.Ainda há aqueles, uma minoria, que teme um crash semelhante ao registradoem 1929. "Algumas pessoas estão falando de uma ´alta patriótica´ que poderia elevar o índice Dow Jonesem 1000 pontos na abertura", disse o diretor do banco de investimentos britânico ING Barings, TonyJackson. "Eu acho que essa elevação não será tão grande, mas acho que ele vai subir, talvez em algumascentenas de pontos."Mas, segundo Jackson, no longo prazo a tendência será de baixa, "provavelmente 10%menos que no nível da reabertura, pois muitas empresas vão cortar as suas previsões de crescimento a partirde agora".Já Khuram Chaudry, estrategista para mercado acionário do Merrill Lynch, , acredita que a bolsa poderácair cerca de 10% já na abertura. "Ë preciso lembrar que as coisas já não iam bem antes dos ataquescontra o World Trade Center", afirmou. "Já havia sinais de que a confiança entre os consumidores estavase deteriorando."Outros analistas estão preocupados com a desordem nos mercados, apesas dosesforços das autoridades monetárias dos países ricos. "Há um grau de sincronização entre as três maioreseconomias do mundo", disse John Llewellyn, economista do Lehman Brothers."Os Estados Unidos e a Europa estão em forte queda enquanto o Japão está em apuros. Há uma década,o Japão estava numa situação melhor, e por isso a economia global poderá acabar numa situação pior doque a registrada há dez anos."Apesar de raros, há também os otimistas. "Acredito que os fundamentoseconômicos vão melhorar a partir de 2002", disse Sonja Gibbs, estrategista chefe para o mercadoacionário do Nomura International. Além do comportamento das bolsas, é crescente a aposta de que o FederalReserve deverá adotar um corte de juros de até 0,75 pontos percentuais logo após a reabertura domercado.A próxima reunião do Fed está marcada apenas para o dia 2 de outubro, mas analistasacreditam que as autoridades monetárias norte-americanas irão se antecipar diante da inevitável queda nonível de confiança entre os consumidores, o que torna a perspectiva de uma recessão quase inevitável."Os mercados estão contando agora com um corte de 75 pontos base pelo Fed", disse Mike Gallagher,analista do Ideaglobal. "Antes dos ataques, muitas pessoas achavam que a fase de relaxamento monetáriotinha acabado, mas agora isso mudou."O preço do petróleo também é outro foco de grande preocupação.Teme-se que a retaliação norte-americana afete o Oriente Médio e os principais países produtores, jogandoo preço da commodity para as alturas, atingindo até US$ 40 dólares o barril.Na sexta-feira, o preço dobarril Brent para novembro fechou a US$ 29,43 no London International Petroleum, em clima de fortenervosismo. Segundo corretores, a maioria das grandes empresas petrolíferas entraram no mercadofazendo compras da commodity, assumindo posições de longo prazo com o receio de uma ação militarnorte-americana."As empresas petrolíferas estão comprando barris em grandes volumes, o quemostra que elas estão inseguras sobre o futuro do abastecimento", disse Peter Gignoux, do SchroderSalomon Smith Barney.O analista Leo Drollas, do Centro para Estudos Globais Energéticos, afirmou quetudo vai depender da resposta do presidente George W. Bush e da consequente reação da Organizaçãodos Países Produtores de Petróleo (Opep). "Se a Opep se tornar hostil, o preço do barril poderá subire atingir os US$ 40 ou mais", afirmou Drollas.

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