Miguel Gutierrez/Efe
Miguel Gutierrez/Efe

Fedecámaras acusa Maduro de fanfarronice ao vetar acesso a dólar

Sindicato de empresas venezuelanas diz que presidente politiza o controle cambial e prejudica o fornecimento de bens de consumo 

O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2015 | 16h13

 CARACAS-  Dirigentes da Fedecámaras, principal sindicato patronal da Venezuela, chamaram nesta quinta-feira, 23, de fanfarronice a promessa feita pelo presidente Nicolás Maduro de cancelar a participação de empresas do grêmio na compra de dólares para importação, anunciada ontem

“Isso não passa de uma fanfarronice, mas é reflexo de como funciona o manejo dos dólares administrados pelo Estado”, disse o presidente da Fedecámaras, Jorge Roig, à rádio Éxitos. “Ele é usado como ferramenta política em vez de ser um mecanismo para o desenvolvimento.”

Maduro acusa a Fedecámaras - que participou do golpe frustrado contra Hugo Chávez em 2002 - de tramar junto com a oposição uma “guerra econômica” contra seu governo. O país atravessa uma grave crise provocada por um desequilíbrio cambial, baixas reservas de moeda estrangeira, inflação e escassez de bens de consumo.

Na Venezuela, o controle de câmbio e preços está em vigor desde 2003. Na quarta-feira, Maduro anunciou que “os dólares da Fedecámaras tinham acabado” e não permitiria “nenhum dólar a mais” para empresas ligadas à entidade.

Roig ainda negou que as companhias associadas ao grêmio patronal confabulem para desestabilizar Maduro. “Defendemos nossos princípios de graça”, afirmou. 


O líder da Fedecámaras também disse que não é responsabilidade das empresas a escassez de produtos, sua venda no mercado negro e o contrabando. Segundo Roig, todos esses problemas derivam do controle de preço e câmbio. O governo, por sua vez, diz que os empresários preferem liquidar os dólares no mercado negro a investir na produção.

“É quase impossível que Maduro diga que não vá entregar os dólares ao setor privado. Somos os únicos que colocam produtos nas prateleiras”, acrescentou Roig. “As empresas públicos, produtoras ou importadoras, são muito ineficazes em levar os alimentos dos portos às mesas dos venezuelanos. O setor privado continuará recebendo os dólares, associado à Fedecámaras ou não.”

Um dos filiados à entidade, Eduardo Garmendia, presidente da Conindústria disse que está esperando mais detalhes sobre o anúncio de Maduro. “Não sabemos quais as intenções do presidente com essas declarações”, disse ele à Unión Radio. “Mas não mudará muito porque muitos empresários já não têm dólares para manter um fluxo normal de produção. 

Ainda de acordo com Garmendia, a venda de dólares monitorada pelo governo está bastante restrita. O setor, diz ele, está mais preocupado com as novas medidas econômicas “vulcânicas” prometidas por Maduro para o dia 1º de maio.  / EFE

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