Federação teme violência contra instituições judaicas

A pedido da Federação Israelita do Rio, a Polícia Militar vai intensificar o policiamento nas 50 instituições judaicas do Estado. Recentemente, a comunidade recebeu uma série de telefonemas com ameaças de bomba e foi alvo de manifestações anti-semitas. Uma sinagoga da zona sul da capital foi apedrejada. A hostilidade se intensificou depois do acirramento dos conflitos entre judeus e palestinos. O presidente da federação, Roberto Stryger, contou que, no último dia 5, houve uma passeata em frente ao Consulado de Israel, em Copacabana, promovida por pessoas que exibiam suásticas nas roupas. O protesto, contra a política do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, contou com a presença de deputados do PCdoB e do PT, segundo Stryger, além de membros do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Após a manifestação, eles pediram desculpas à entidade.Na semana passada, a sinagoga Beit-Aron, em Laranjeiras, foi atacada por um morador de um prédio vizinho. Ele jogou ovos e uma lata de tinta vermelha contra a frente do templo. Com o choque, vitrais foram quebrados. "Sempre tivemos uma tradição pacífica entre diferentes etnias no Brasil. Todos nós queremos o fim da guerra no Oriente Médio. Em vez de importar violência, devemos exportar a paz", afirmou Roberto Stryger.Durante reunião hoje à tarde com representantes da comunidade israelita - que reúne cerca de 50 mil pessoas no Rio -, o secretário de Estado de Segurança Pública, Roberto Aguiar, anunciou que já destacou o major da PM Ibes Silva Pereira para cuidar do caso. "Os judeus têm dado contribuição muito importante no Rio e precisam ter sua cultura protegida", afirmou Aguiar.De acordo com o secretário, a polícia vai agir com inteligência para selecionar as áreas próximas a sinagogas e a clubes e escolas israelitas que devem ser cobertas pela polícia. "Vamos implementar ações preventivas e repressivas", disse. Há dois anos, existe na secretaria o Centro de Referência contra o Racismo e o Anti-semitismo. Graças ao serviço, um grupo nazista da Baixada Fluminense foi desbaratado.

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