Felt quase revelou sua identidade em interrogatório

Um passo em falso, em 1976, quase atraiu para cima de Mark Felt o que ele menos queria: uma investigação federal para provar se ele era o "Garganta Profunda" do caso Watergate. Felt escapou graças ao assistente do procurador-geral, Stanley Pottinger, como Bob Woodward contou no livro O Homem Secreto. Felt e dezenas de agentes do FBI respondiam a um processo aberto pela divisão de direitos civis da Procuradoria dos EUA. Motivo: ele participara, no início dos anos 70, antes do caso Watergate, da investigação de um grupo terrorista responsável pela explosão de bombas no Capitólio (1971) e no Pentágono (1972). Operações de buscas não-autorizadas pelo Judiciário a cidadãos americanos eram proibidas, mas o FBI invadiu secretamente as casas de membros do grupo. Quando Felt sentou-se para ser interrogado, Pottinger perguntou-lhe se o governo Nixon havia pressionado o FBI a adotar métodos ilegais na investigação. Felt negou e disse que o fato de ir muito à Casa Branca levava algumas pessoas a achar que ele era até o "Garganta Profunda". Quando Pottinger terminou o interrogatório, perguntou se alguém do grande júri queria fazer perguntas. Um homem levantou a mão: "O senhor é o ?Garganta Profunda??""Não", respondeu Felt. Pottinger lembrou Felt que ele estava sob juramento e perguntou se mantinha a resposta ou se queria retirá-la, uma vez que a questão "Garganta Profunda" estava fora do caso. Felt pediu para retirar a pergunta e a resposta. Pottinger teve ali a certeza de que Felt era o "Garganta", mas guardou o segredo por 29 anos, até 2005.

Rui Nogueira, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

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