Feministas francesas pregam fim do ´senhorita´

Feministas na França pediram ao governo que retire o título mademoiselle (senhorita) de documentos oficiais. Les Chiennes de Garde (As Cadelas de Guarda), o maior grupo feminista da França, disse que o título "perpetua a submissão a valores machistas" no país. As feministas alegam que a forma de tratamento força as mulheres a divulgarem o seu estado civil, enquanto para os homens, a forma vigente revela apenas o seu sexo.Muitas mulheres temem o dia em que são vistas como maduras demais para serem chamadas de mademoiselle. Um bounjour (bom dia) a uma mulher na França é sempre seguido de madame ou mademoiselle - mas decidir que qualificativo deve ser dado a quem pode ser problemático.Disponibilidade sexual As feministas dizem que a distinção entre os dois títulos para mulheres é usada por homens franceses apenas para determinar se uma mulher está sexualmente disponível.Nas ruas da capital, Paris, percebe-se que as feministas podem ter razão. "Não gosto que as pessoas me chamem de madame - eu me sinto velha e pouco disponível", disse uma mulher. "Prefiro quando me chamam de mademoiselle." Outra comentou. "Para um homem, provavelmente esta é uma boa forma de esclarecer a situação desde o começo". "Se um homem gosta de mim e pergunta se sou madame ou mademoiselle, eu sei o que ele quer dizer e o que está querendo saber com essa pergunta."O grupo Chiennes de Garde diz, no entanto, que não quer um equivalente ao termo Ms, usado pelos ingleses. A expressão substitui Miss ou Mrs (senhorita ou senhora) quando não se deseja revelar o estado civil da mulher em questão.As feministas francesas querem que madame seja usado para mulheres de todas as idades, casadas ou solteiras. Se os guardiães da língua francesa - a Academie Française - vai concordar, isto é outra coisa. A academia ainda insiste no uso do artigo masculino para qualificar membros do governo francês. Ou seja, uma ministra deve ser chamada de Madame le Ministre (senhora o ministro).

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