''Fênix'' põe pé na estrada e aposta no pequeno comício

McCain perde para Obama em eventos para milhares de pessoas, mas se sai bem em encontros menores, nos quais responde a perguntas da platéia

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

14 de junho de 2008 | 00h00

"O Fênix está saindo", diz um dos agentes do serviço secreto que acompanham o candidato republicano John McCain. "Fênix" é o apelido de McCain no serviço secreto - em homenagem a Phoenix, a capital do Arizona, Estado que o elegeu senador. Mas poderia ser pela habilidade de McCain de renascer das cinzas e ressuscitar sua campanha. O senador republicano manca um pouco ao descer a escada do Embraer 190 da Jet Blue, seu avião de campanha. É seqüela de seus cinco anos de tortura em Hanói, durante a Guerra do Vietnã (1959-75). Ele vem acompanhado de sua mulher, Cindy. Logo atrás vem seu anjo da guarda, a assessora pessoal Brooke Buchanan. Ela decide quem fala e quem não fala com o senador. É ela também quem, dentro do avião, limpa a caspa do blazer de McCain, penteia seu cabelo e aplica maquiagem - ele não consegue levantar os braços acima da altura dos ombros, também seqüela das torturas. McCain, que é chamado por seus assessores de JSM (iniciais de John Sidney McCain III), entra em seu ônibus Straight Talk Express (Expresso Conversa Franca, em tradução livre). O ônibus ficou famoso em 2000 pelo amplo acesso que dava à imprensa e pelos surtos de sinceridade do candidato. Agora, McCain está mais cauteloso, fala menos com a imprensa. Ainda brinca com alguns jornalistas - "ei, seu babaca" ou "este é o pior jornalista que já vi". Mas está mais contido, após alguns lapsos, como dizer a jornalistas que economia não era seu forte.O Expresso Conversa Franca está levando McCain para um debate com os eleitores na cidade de Filadélfia - um de seus eventos preferidos. Ele sabe que perde feio do rival Barack Obama em retórica e eventos para milhares de pessoas, como o comício que reuniu 75 mil americanos em êxtase para ver o candidato democrata no Oregon. Mas em eventos menores, nos quais McCain reúne de 200 a 300 pessoas e responde a perguntas da platéia, o republicano se sai bem. É por isso que o candidato está desafiando Obama para uma série desses debates informais ao redor do país. Ele acha que, na troca de opiniões com eleitores, sai ganhando. Obama disse que está aberto à proposta, mas vem fazendo corpo mole e quer mudar o formato dos eventos, para que sejam menos espontâneos. Um dos grandes defensores da maratona de debates é Mark Salter, assessor mais próximo de McCain. Ele defende o candidato com unhas e dentes e freqüentemente reclama da imprensa "injusta" (ler ao lado). Obama acorda às 5 horas para fazer ginástica e geralmente tem eventos até a meia-noite. Hillary Clinton tinha uma agenda ainda mais cansativa - ela acordava às 4h30 e trabalhava até as 2 horas do dia seguinte. Já McCain pega mais leve na rotina. Normalmente seu dia começa às 7 horas e ele tem eventos até as 20 horas. O candidato republicano adora Donuts, Baby Ruth (chocolate com caramelo e amendoim), PayDay (caramelo e amendoim) e balas de framboesa. Mesmo assim, perdeu peso na campanha - ele está sempre discursando na hora do almoço e do jantar. "É uma fase mais calma, ele está concentrado em eventos para levantar recursos, pois está muito atrás de Obama", diz um assessor. Desde o início da campanha, McCain levantou US$ 96 milhões e Obama, US$ 260 milhões.Nos três dias em que a reportagem do Estado passou com a campanha, McCain passou por Washington, Nova York, Filadélfia e Boston. A estratégia dos discursos e debates informais é mostrar as diferenças de política entre os dois candidatos. O republicano critica as propostas econômicas de Obama, como elevação de impostos sobre ganhos de capital e oposição ao livre comércio. E retrata o candidato democrata como "ingênuo e inexperiente" em política externa, ressaltando que Obama não vai ao Iraque desde 2006.?MUDANÇA CERTA?McCain também está de olho nos eleitores ressentidos de Hillary. "Boas-vindas para os eleitores de Hillary Clinton que estão aqui hoje", disse McCain na Filadélfia. A campanha quer roubar um pouco do brilho do tema "mudança" de Obama. "McCain também é um candidato de mudança, mas da mudança certa", diz um assessor. "Obama diz que farei o terceiro mandato de Bush - ele faria o segundo mandato de Jimmy Carter", afirma McCain. "De segurança nacional até aumento de impostos, o senador acha que o papel do governo é adotar as políticas fracassadas dos anos 60 e 70."

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