Ferguson a Baltimore: mudam as respostas à violência policial

CENÁRIO: Mark Berman / W.POST

O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2015 | 02h05

A reviravolta em Baltimore foi notavelmente rápida: levou pouco menos de três semanas desde a prisão e a morte de Freddie Gray para um promotor indiciar os seis policiais envolvidos. A rapidez foi uma resposta à enorme pressão pública em Baltimore. Assinalou também uma mudança de ambiente após um ano de episódios que se tornaram críticos nos EUA.

"O clima e as expectativas são diferentes", disse David A. Harris, professor de direito na Universidade de Pittsburgh, e especialista no uso da força por policiais. "Queremos que as normas sejam as mesmas. A lei não mudou." Mas se isso houvesse ocorrido há mais de um ano, as autoridades poderiam ter esperado a redução do interesse público, disse Harris. Mas agora, em meio a um debate nacional sobre ação policial e protestos que dominam os noticiários, isso ficou muito mais difícil de fazer.

"A questão é, até que ponto se deve levar a sério o desejo público de justiça e alguns tipos de respostas?", disse Harris. "No passado, não acho que levariam esse desejo tão a sério como levam agora." Harris disse que os últimos meses mudaram o modo como esses incidentes são vistos pelo público e pelas autoridades. Os protestos em Ferguson, Montana, Nova York e em outras cidades americanas no ano passado destacaram as mortes de negros por policiais e outros incidentes, transformando cada incidente em parte de algo maior, disse ele.

"O que teria sido um caso local um ano atrás agora parece se encaixar nesta narrativa nacional maior", acrescentou Harris. Por conseguinte, isso muda as expectativas do público sobre as respostas que espera receber das autoridades.

Desde os protestos em Ferguson, após a morte de Michael Brown, as autoridades das cidades onde ocorreram protestos tentaram aplacar rapidamente a agitação. Juristas, ativistas e outras autoridades disseram que a única lição crucial tirada de Ferguson é que se deve responder com presteza aos protestos violentos e tentar impedir os tipos de manifestações vistos na cidade.

O prefeito de Baltimore e o governador de Maryland têm sido questionados sobre a presteza com que reagiram aos tumultos na segunda-feira. "É surpreendente o contraste entre a maneira como este caso progrediu e como casos similares poderiam ter progredido no passado", disse Harris. "No passado, pode não ter havido tanto interesse público e pressão para descobrir alguma coisa, seja lá o que fosse."

"Este momento histórico é o resultado de esforços incansáveis de famílias que perderam seus entes querido para a violência policial - aqui em Baltimore e em todos os Estados Unidos", disse Susan Goering, diretora executiva da União Americana pelas Liberdades Civis de Maryland. "Elas chamaram a atenção para os dois pesos e duas medidas de nosso sistema de justiça criminal." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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