Ferguson aguarda decisão sobre indiciamento de policial

Milhares de pessoas se reuniram em vigília na noite deste domingo no centro de Ferguson, no Missouri (Sul dos EUA), enquanto a polícia e os moradores se preparavam para uma audiência de um Grande Júri, nesta segunda-feira, que decidirá se um policial vai ou não a julgamento por ter matado um jovem negro desarmado a tiros. A cidade vive protestos e confrontos entre policiais e manifestantes há várias semanas.

AE-DOW JONES, Estadão Conteúdo

23 de novembro de 2014 | 20h33

Neste domingo, os participantes reclamaram depois de o administrador do tribunal do Condado de St. Louis, Paul Fox, divulgar uma carta aberta na qual diz que os documentos relativos ao caso não serão necessariamente divulgados ao público. "Se o Grande Júri decidir que não há base suficiente para afirmar que um crime foi cometido, o juiz antecipa que o tribunal receberá pedidos de divulgação dos registros do Grande Júri. O tribunal será orientado pela lei em sua resposta a pedidos pelos documentos do Grande Júri", diz Fox na carta.

O promotor público do Condado de St. Louis, Robert Mc Culloch, que reuniu o Grande Júri, havia prometido pressionar pela liberação de tantos documentos quantos for possível do caso, se o Grande Júri decidir não indiciar o policial Darren Wilson pela morte de Michael Brown, de 18 anos, ocorrida em 9 de agosto. Wilson, que é branco e tem 28 anos, está afastado do trabalho desde o tiroteio, mas continua a receber seus salários. Ele não chegou a ser preso.

O governador Jay Nixon declarou "estado de emergência preventivo" no estado do Missouri, para o caso de a decisão do Grande Júri ser acompanhada de protestos violentos. Na noite de sábado, dois manifestantes foram presos durante protesto diante do Departamento de Polícia de Ferguson.

Nas últimas noites, a polícia local tem evitado o confronto direto com os manifestantes; os policiais que formam as linhas de proteção policial já não têm carregado as escopetas carregadas com balas de borracha e no sábado, muitos deles usavam seus uniformes regulares de patrulha, e não os trajes blindados das tropas de choque.

Na noite de sábado, o tenente Jerry Lohr, que estava a cargo do controle de multidões, preferiu conversar com os manifestantes. "É assim que deveria ter acontecido desde o começo, disse Markelina McGruder, moradora de St. Louis. "Tenha uma boa noite", disse a ela o tenente Lohr. "Fique seguro", ela respondeu.

Justin Giuliano, de 21 anos, apresentou uma questão delicada ao tenente: se os acontecimentos dos últimos meses teriam sido diferentes se o policial que atirou não fosse branco e se Brown não fosse negro. "Pode ser, Eu não sei. São perguntas difíceis", respondeu Lohr.

Apesar de o clima nos últimos dois dias ser de menos confrontação, duas pessoas foram presas por reunir-se ilegalmente (uma das condições do "estado de emergência" permite à polícia impor restrições à liberdade de manifestação), entre elas um repórter de um órgão independente de imprensa que estava parado em uma calçada ao ser detido. Um porta-voz da polícia disse que as circunstâncias da detenção seriam investigadas.

Em toda a região metropolitana de St. Louis, as pessoas continuaram a cobrir as fachadas de lojas, órgãos do governo e residências com pranchas de madeira. Barricadas cercam as delegacias de polícia de Ferguson, de St. Louis e de Clayton, onde o Grande Júri está reunido. Fonte: Dow Jones Newswires.

Mais conteúdo sobre:
EUAtensão racialFerguson

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.