Whitney Curtis / NYT
Whitney Curtis / NYT

Ferguson declara emergência após atos de violência durante protestos

Homem fica gravemente ferido após trocar tiros com a polícia, segundo versão oficial

O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 19h46

FERGUSON, EUA - A tensão voltou a se instalar em Ferguson, no Estado de Missouri (EUA), com um homem gravemente ferido após trocar tiros com a polícia e mais de 50 prisões durante as manifestações de um ano da morte do jovem negro Michael Brown. As autoridades do condado de Saint Louis, onde fica Ferguson, declaram estado de emergência pelo “potencial de danos a pessoas e propriedades”. 

A decisão foi anunciada após uma série de episódios violentos ocorridos na noite de domingo e na madrugada desta segunda-feira na cidade que, há um ano, registrou os piores conflitos raciais das últimas décadas nos EUA que se multiplicaram pelo país. Brown, que tinha 18 anos, estava desarmado quando foi atingido por tiros e morto por um policial branco. 

Na madrugada de hoje, um jovem identificado como Tyrone Harris Jr., de 18 anos, ficou gravemente ferido após ser baleado pela polícia. Ele foi operado e seu estado de saúde era considerado crítico. 

Harris responderá por quatro acusações de ataque em primeiro grau a agentes de segurança, cinco de ação criminal armada e uma por descarregar uma arma de fogo contra um veículo. Foi estabelecida uma fiança de US$ 250 mil.

Segundo o relato dos policiais, Harris fazia parte de um grupo de jovens que teriam começado a se enfrentar, trocando tiros entre si na noite do domingo.

Quando um homem armado saiu correndo por um estacionamento, quatro policiais em um carro à paisana o interceptaram. O suspeito abriu fogo contra o veículo e foi gravemente ferido na perseguição a pé que se seguiu, após trocar tiros com os policiais.

O comandante da polícia do Condado de Saint Louis, Jon Belmar, estimou terem sido disparados 40 tiros. “Eram criminosos, não manifestantes”, disse ele. “Havia um pequeno grupo de pessoas com o objetivo de fazer com que a paz não prevalecesse.” 

O pai do jovem ferido, Tyrone Harris, defendeu a inocência do filho e questionou o relato da polícia. “Meu filho nem sequer estava armado quando eles dispararam”, garantiu Harris em entrevista ao jornal The Washington Post.

Pelo menos três policiais se feriram na confusão com manifestantes: um foi atingido por um tijolo no rosto e os outros dois por gás de pimenta disparado pelos manifestantes, afirmou o chefe da polícia. Um membro da imprensa local também foi roubado e agredido em um estacionamento perto da manifestação, na qual cinco pessoas foram presas, disse Belmar.

Além desses casos, mais cedo, dois adolescentes foram atingidos por tiros perto de um altar erguido em uma calçada em homenagem a Brown ao lado do local onde ele foi baleado. Ainda de acordo com a polícia, os dois não sofreram ferimentos graves.

As manifestações relacionadas à morte de Brown começaram horas antes do incidente com uma passeata pacífica em Ferguson, após um minuto de silêncio em homenagem ao adolescente. 

Nesta segunda-feira, porém, ativistas em Missouri convocaram um dia de desobediência civil. Os participantes foram presos por terem pulado as barricadas de um tribunal. O estado de emergência declarado ontem prevê que o controle da polícia de Ferguson passe para o comandante do condado com o objetivo de conter as tensões. / REUTERS, EFE e AFP

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