Ferguson tem noite calma no início do júri sobre a morte de Brown

Secretário de Justiça dos EUA disse aos país do jovem negro morto pela polícia que o departamento fará uma investigação completa

O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2014 | 11h13

FERGUSON - Pequenas multidões realizaram protestos pacíficos na noite de quarta-feira 20, em razão da morte do jovem negro de 18 anos Michael Brown por um policial em Ferguson, no Estado americano de Missouri, na noite mais calma desde que as manifestações começaram. Na quarta, um júri começou a ouvir as alegações no caso, embora manifestantes tenham pressionado para que uma investigação criminal local fosse entregue para um promotor especial.

O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, encontrou-se com os país de Brown e prometeu que seu departamento vai realizar uma investigação completa sobre o caso, que reacendeu o debate sobre o tratamento do sistema judiciário americano a afro-americanos.

O Departamento de Justiça lançou uma investigação para ver se promotores federais podem apresentar acusações criminais contra Darren Wilson, o policial envolvido no tiroteio de 9 de agosto.

"Eu sou o secretário de Justiça dos EUA, mas também sou negro. Consigo lembrar de ter sido parado em duas ocasiões em um pedágio de New Jersey e ser acusado de ultrapassar o limite de velocidade. Fui parado", disse Holder em uma reunião com a comunidade na cidade nos arredores de St. Louis. 

Alguns tiros foram ouvidos durante a noite, pelo menos um policial foi atingido por uma garrafa e, segundo a polícia, nesta quinta-feira, 21, seis pessoas foram presas, muito menos do que os detidos nas últimas noites, marcadas por episódios de violência e saques. 

"Vimos uma multidão diferente nessa noite. Não tivemos tantos agitadores e, como eu digo, criminosos na multidão", disse o capitão da polícia rodoviária do Estado, Ron Johnson, um oficial negro que foi indicado para assumir a segurança local na semana passada. "A tendência é boa. As multidões foram menores, houve calma e ordem." 

Ainda no fim da tarde de quarta, grupos de dezenas de manifestantes começaram a marchar pacificamente em uma via principal que havia sido o cenário de protestos e episódios de violência. Eles gritavam: "Mão para cima, não atire". 

Uma tempestade caiu logo após o anoitecer, dispersando os manifestantes, incluindo uma multidão que havia cercado um casal que carregava um cartaz de apoio à polícia. 

Representantes religiosos foram vistos na multidão, ajudando a orientar a marcha e agindo como intermediários entre a polícia e os manifestantes. Uma líder religiosa negra usando uma longa bata branca acalmou uma mulher que estava gritando e a conduziu pela rota da marcha.

Holder, o primeiro negro a assumir o cargo de principal representante da Justiça dos EUA, encontrou-se com estudantes e líderes comunitários de Ferguson. / REUTERS

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