REUTERS/Rick Wilking
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Ferguson vive outra noite tensa com 23 detidos, mas sem incidentes graves

Protestos para lembrar o assassinato do jovem negro Michael Brown continuam, mas na madrugada de segunda para terça-feira não houve 'tiroteios, disparos, roubos, saques ou danos à propriedade'

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 08h37

FERGUSON, EUA - A cidade de Ferguson, nos Estados Unidos, viveu na segunda-feira, 10, outra noite tensa com 23 detenções e confrontos entre a polícia e manifestantes, mas sem os graves incidentes que mancharam na noite do domingo os atos para lembrar o aniversário do assassinato do jovem negro Michael Brown por um policial branco.

"No protesto não houve tiroteios, disparos, roubos, saques ou danos à propriedade", informou a polícia do condado americano de Saint Louis, onde está Ferguson, no comunicado emitido após o fim do protesto por volta de 3h30 de terça-feira (horário local, 5h30 de Brasília).

A tensão durou cerca de cinco horas na avenida West Florissant, epicentro dos protestos pela morte de Brown e palco nesta noite mais uma vez de uma espécie de jogo de rato e gato entre os agentes e alguns manifestantes.

Os policiais, com equipamento antidistúrbios e veículos armados, começaram a avançar e efetuar as primeiras detenções quando um grupo de 50 pessoas se concentrou em meio à avenida, algo proibido desde que o protesto deixou de ser pacífico por volta de 23h (1h de Brasília).

Desde então e até a entrada da madrugada, a tensão se manteve: os agentes detiveram mais de 20 pessoas e os manifestantes lançaram garrafas de água congelada e outros objetos.

Violência. As piores previsões não se concretizaram, mas durante o dia todo Ferguson voltou a temer uma nova jornada trágica depois que na madrugada de domingo vários tiroteios na região de protestos acabaram com um jovem em estado crítico e dois levemente feridos.

A polícia do condado está a cargo da segurança na cidade e substitui nesse trabalho os agentes locais, muito questionados por sua suposta discriminação e violência contra a população negra.

Ferguson amanheceu nesta terça-feira de novo em estado de emergência, declarado ontem pelo "potencial de danos a pessoas e propriedades" depois que a violência voltou na noite do domingo às ruas da cidade.

Esses incidentes mancharam uma jornada de manifestações pacíficas pelo aniversário da morte de Brown, um fato que provocou os piores distúrbios raciais em décadas e abriu um novo capítulo na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.

A morte de Brown, que completou um ano no domingo, situou no centro do debate a violência e discriminação policial contra os negros nos EUA e representou o nascimento de um novo movimento social sob o lema "Black lives matter" ("As vidas dos negros importam").

As centenas de pessoas que saíram às ruas em Ferguson desde sábado denunciam que um ano é tempo demais para que, segundo eles, nada tenha mudado em uma cidade onde a população negra é majoritária, mas tem pouca representação nos corpos de segurança e nos estamentos políticos. / EFE e AP

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