REUTERS/Rodi Said
REUTERS/Rodi Said

Feridas e sozinhas, crianças saem do último enclave do Estado Islâmico

Muitas viram suas famílias serem mortas ou foram escravizadas pelos jihadistas

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2019 | 16h50

PROVÍNCIA DEIR AL-ZOR, SÍRIA - Hareth Najem fugiu do último enclave do Estado Islâmico no leste da Síria, ferido e sozinho. A família do órfão iraquiano morreu dois anos atrás em ataques aéreos na fronteira da região de al-Qaim.

“Eu tinha dois irmãos e uma irmã. Todos eles morreram e depois fiquei sozinho”, disse Hareth à Reuters, com lágrimas nos olhos. “Minha irmãzinha, eu a amava muito. Eu costumava levá-la comigo para o mercado.”

Deitado em um caminhão de gado ao lado de outro menino ferido em um ponto de trânsito no deserto para as forças apoiadas pelos Estados Unidos, ele se aconchegou debaixo de um cobertor. Seu rosto estava coberto de terra e parte de sua cabeça estava envolvida com bandagens cobrindo ferimentos de dias antes.

Hareth tinha 11 anos quando o Estado Islâmico (EI) declarou seu “califado” no Iraque e na Síria, matando milhares de civis e atraindo uma série de inimigos que lutaram contra os jihadistas.

Agora com 16 anos, ele estava entre as crianças varridas nesta semana na retirada de civis de Baghouz, o último pedaço de terra sob o controle dos jihadistas, agora à beira da derrota imposta pelas Forças Democráticas Sírias (SDF).

Algumas das crianças são estrangeiras cujos pais as trouxeram para serem criadas sob a lei do EI, ou crianças combatentes recrutadas, que o grupo apelidou de “filhotes do califado”. Outras, incluindo membros da minoria yazidi, foram escravizadas pelos jihadistas.

Muitas viram seus pais morrerem nos combates ou serem detidos por forças rivais. Como o EI enfrenta a derrota territorial, seu destino permanece incerto. A SDF investiga todos os homens e adolescentes que chegam de Baghouz para determinar possíveis conexões com o EI.

Cerca de 20 crianças cruzaram a linha de frente por conta própria nesta semana, incluindo iraquianas, sírias, turcas e indonésias, disse o comandante da SDF, Adnan Afrin. Os pais de algumas foram identificados como combatentes do EI e imediatamente detidos. / REUTERS

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