Feridos temem ser detidos em hospitais de Mianmá, diz ONG

Hospitais públicos e clínicas privadas registram cada paciente e enviam dados aos militares

Efe,

28 de setembro de 2007 | 02h39

A maioria dos feridos durante a repressão aos protestos contra a Junta Militar de Mianmá não vai aos hospitais por medo de serem detidos por participar dos protestos, afirmaram nesta sexta-feira, 28, fontes médicas. Veja também:Jornalista japonês é morto por policiais Entenda a crise e o protesto dos monges  Austrália adota sanções financeiras Mulher e filha de chefe militar deixam MianmáHill defende conversa entre China e EUADissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges  O pessoal de hospitais públicos e clínicas privadas tem a obrigação de registrar cada paciente antes do atendimento e enviar os dados aos serviços de inteligência militar, disse à Efe uma fonte do escritório da ONG Medicus Mundi, em Rangun. "A tensão é tal que muitos birmaneses nos vêem e não se dão conta de que realmente podemos ajudar", disse. A sua organização não precisa cumprir a norma. A Medicus Mundi deslocou na quinta-feira duas equipes móveis aos limites do pagode de Sule, local de alguns dos incidentes violentos mais graves das mobilizações. "É muito difícil trabalhar porque o Exército não nos deixa entrar nos locais das manifestações. Há tanta gente que é impossível penetrar nos templos se não chegarmos bem cedo", relatou a fonte, integrante de uma das poucas agências de ajuda internacionais presentes em Mianmá. As forças de segurança birmanesas reprimiram na quinta-feira, pelo segundo dia consecutivo e com maior rigidez, os protestos de dezenas de milhares de manifestantes. Pelo menos dez pessoas, entre elas um japonês e outro estrangeiro, morreram. Mais de 100 foram feridas e cerca de mil foram detidas desde que começou o maior levantamento popular contra o regime em quase duas décadas.

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