Rodolfo Buhrer/REUTERS
Rodolfo Buhrer/REUTERS

Fernández e Cristina Kirchner divulgam abaixo-assinado pela libertação de Lula

Fazem parte do pedido a líder das Avós da Praça de Maio Estela de Carlotto e o ex-candidato à presidência Sergio Massa

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 10h38

BUENOS AIRES - Diversas lideranças de centro-esquerda da Argentina divulgaram na segunda-feira, 19, um manifesto em defesa da libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato há 500 dias. Entre os signatários estão a ex-presidente Cristina Kirchner e o candidato à presidência Alberto Fernández

 

Fazem parte do abaixo-assinado também a líder das Avós da Praça de Maio Estela de Carlotto, o ex-ministro da Fazenda de Cristina Axel Kiciloff e o ex-candidato à presidência Sergio Massa, entre outros senadores, deputados, sindicalistas, professores, jornalistas e artistas. 

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Durante a campanha para as primárias, que venceu com uma vantagem de 15 pontos para o presidente Mauricio Macri e o cacifou para eleger-se nas eleições de outubro, Fernández visitou Lula na prisão em Curitiba e defendeu sua libertação. 

 

O ex-presidente, por sua vez, parabenizou Fernández e Cristina Kirchner, candidata a vice, pela vitória nas prévias por meio de suas redes sociais

Bolsonaro critica volta de 'bandidos de esquerda'

 

A proximidade de Fernández com Lula provocou críticas do presidente Jair Bolsonaro, que desde as prévias tem associado o presidente argentino com outras lideranças de esquerda do Brasil e da América Latina, como Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff, os venezuelanos Nicolás Maduro e Hugo Chávez e o ex-líder cubano Fidel Castro

"Olha o que está acontecendo com a Argentina agora. A Argentina está mergulhando no caos. A Argentina começa a trilhar o rumo da Venezuela, porque, nas primárias, bandidos de esquerda começaram a voltar ao poder”, disse o presidente em Parnaíba, no Piauí, onde participava de cerimônia alusiva a um projeto de irrigação.

Bolsonaro defende a reeleição de Mauricio Macri, apesar de, segundo analistas, o apoio ao presidente argentino não ser bem visto no país vizinho em  consequência das declarações favoráveis à ditadura militar feitas pelo presidente brasileiro. A Argentina viveu entre 1978 e 1983 uma das ditaduras mais violentas do continente, com mais de 30 mil mortos e desaparecidos. 

Kirchnerista diz que Bolsonaro é racista, misógino e violento

Fernández respondeu ao presidente brasileiro na semana passada. "Com o Brasil, teremos uma relação esplêndida. O Brasil sempre será nosso principal sócio. Bolsonaro é uma conjuntura na vida do Brasil, como Macri é uma conjuntura na vida da Argentina”, disse Fernández em uma entrevista ao programa “Corea del Centro”, da emissora Net TV.

“Agora, em termos políticos, eu não tenho nada a ver com Bolsonaro. Comemoro enormemente que fale mal de mim. É um racista, um misógino, um violento... O que eu pediria ao presidente Bolsonaro é que deixe Lula livre e pediria que se submeta a eleições com Lula em liberdade”, acrescentou.

 

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