Matias Baglietto/Reuters
Matias Baglietto/Reuters

Fernández pede e ministro da Saúde renuncia após escândalo de 'vacinação VIP' em seu gabinete

Parentes e amigos do ministro foram vacinados contra a covid-19 na sede do ministério sem entrar na fila como os demais argentinos

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2021 | 22h05
Atualizado 19 de fevereiro de 2021 | 22h05

BUENOS AIRES - O ministro da Saúde da Argentina, Ginés González García, atendeu ao pedido do presidente Alberto Fernández e renunciou ao cargo na noite desta sexta-feira, 19, após a divulgação de um escândalo de vacinação VIP, como definiu a imprensa local, no qual seus parentes e amigos foram vacinados contra a covid-19 em seu gabinete sem entrar na fila como os demais argentinos.

"Respondendo ao seu expresso pedido, apresento minha renúncia ao cargo de ministro da Saúde", escreveu González em uma carta dirigida ao presidente. De acordo com o jornal Clarín, trata-se da saída mais importante do governo Fernández, que ocorre em meio à crise de saúde que se instalou com a pandemia do novo coronavírus. 

As vacinações "privilegiadas" na sede do Ministério da Saúde foram conhecidas no mesmo dia em que a cidade de Buenos Aires viabilizou o cadastro online para vacinar pessoas com mais de 80 anos a partir da próxima segunda-feira, mecanismo que quase saiu do ar de imediato diante da enorme demanda.

O escândalo estourou depois que o jornalista Horacio Verbitsky, de 71 anos, disse pela rádio que, graças à longa amizade com o ministro, ele conseguiu se vacinar no gabinete dele. Segundo jornais locais, outras pessoas próximas ao governo foram vacinadas no Ministério da Saúde.

Segundo o Clarín, as declarações de Verbitsky expuseram as graves irregularidades no plano de imunização que, segundo o governo nacional, tinha como prioridade o pessoal do sistema de saúde, das forças de segurança, professores e os que compõem os grupos de risco. Até agora, na Argentina, apenas o pessoal de saúde foi vacinado. 

A Argentina, com 44 milhões de habitantes, registrou mais de 2 milhões de infecções de covid-19 e ultrapassa 50 mil mortes.

A vacinação começou no fim de dezembro com a Sputnik V, do laboratório russo Gamaleya. O presidente Fernández e a vice-presidente, Cristina Kirchner, ambos na casa dos 60 anos, foram vacinados diante das câmeras para transmitir confiança na vacina.

Até o momento, a Argentina recebeu 1.220.000 doses de Sputnik V e 580 mil de Covishield, do Indian Serum Institute, que chegou na quarta-feira. O plano incluirá mais tarde vacinas da aliança britânica Oxford/AstraZeneca até completar 62 milhões de doses de diferentes contratos, incluindo um com o mecanismo de cooperação internacional Covax./COM AFP

 

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