Clayton de Souza/AE
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Fernando Henrique Cardoso é contra represálias ao Paraguai

Para ex-presidente do Brasil, Constituição do país vizinho não foi desrespeitada em impeachment de Lugo

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington,

10 de julho de 2012 | 18h54

WASHINGTON - O ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta terça-feira, 10, não ter havido "nenhum arranhão" na Constituição do Paraguai durante o episódio do impeachment de Fernando Lugo, afastado da Presidência do país no último dia 22. Mas o processo poderia ter sido evitado pelos vizinhos do Mercosul, assinalou FHC, contrário às represálias aplicadas pelo Brasil, Argentina e Uruguai - a suspensão do Paraguai dos encontros do bloco e incorporação da Venezuela.

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"É sempre ruim tirar, rapidamente, o presidente. Mas, adotar uma sanção é algo de aceitação mais delicada", afirmou FHC, horas antes de receber o Prêmio John Kluge, concedido pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos a destacados estudiosos da área de humanidades.

Em crítica à maneira como as chancelarias dos países do Mercosul se comportaram no início da crise política paraguaia, FHC insistiu que os governos vizinhos poderiam ter enviado a Assunção uma "missão consolidadora", para negociar a permanência de Lugo nos dez meses finais de seu mandato e evitar o processo de impeachment.

Agora, afirmou ele, caberá exclusivamente à Suprema Corte de Justiça do país decidir se Lugo teve ou não oportunidade de defesa. Os sócios do Mercosul ainda atuaram à revelia do Paraguai ao aprovar a inclusão da Venezuela entre seus membros plenos. O Congresso paraguaio segura há anos essa decisão. Para FHC, a Venezuela não poderia ser incorporada antes de adotar a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul e os demais acordos da união aduaneira. 

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