AFP PHOTO/ADALBERTO ROQUE
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Fertilidade em baixa ameaça futuro de Cuba

Dificuldades econômicas desestimulam jovens a ter filho e aceleram ritmo de envelhecimento

Claudia Rodriguez e Alejandro Padilha , NEW YORK TIMES / HAVANA

30 Outubro 2015 | 02h00

HAVANA - Sentiram uma forte atração um pelo outro e começaram a namorar, mas o que o amor não conseguirá criar, no momento, é uma família. Embora pretendam se casar e ter filhos, eles terão de esperar até não precisarem mais dividir um pequeno apartamento com outras seis pessoas. Talvez eles aguardem até que obter fraldas e leite para um filho já não seja mais tão complicada. Em resumo, levará muito tempo.

“Você precisa levar em consideração o mundo em que vive”, disse Claudia, 24 anos, que confessou ter feito dois abortos para evitar ter filhos tão cedo. 

Com base em qualquer parâmetro que possa ser utilizado, a situação demográfica cubana é precária. Desde os anos 70, a taxa de natalidade está em queda livre, com um forte declínio no número de habitantes, um problema muito mais comum em nações industrializadas e ricas, não em países pobres.

Cuba já tem o maior número de idosos da América Latina. Especialistas preveem que daqui a 50 anos a população terá diminuído em um terço. Mais de 40% dos habitantes terão mais de 60 anos.

Essa crise demográfica é econômica e política. A população que envelhece exigirá um vasto sistema de saúde que o Estado não conseguirá financiar. E, sem uma mão de obra viável, o ciclo de fugas da ilha e desconfiança sobre o futuro de Cuba será ainda mais difícil de romper, apesar das medidas adotadas pelo governo para o país se abrir para o mundo exterior.

Como o governo propiciou uma educação para seus cidadãos após a revolução, registrando um dos mais altos níveis de alfabetização no mundo, os cubanos se tornaram mais cautelosos quanto a assumir um filho. Há um outro fator que altera essa equação em Cuba: o aborto é legal, livre e comumente praticado. Em Cuba, as mulheres são livres para decidir como desejarem, outro legado da revolução, que priorizou os direitos femininos. Elas falam abertamente sobre aborto e fazem filas nas clínicas que com frequência dão volta nos prédios.

Reconhecendo o problema, o governo começou a distribuir panfletos incentivando a gravidez e folhetos para estimular os casais jovens a ter filhos. Algumas mulheres disseram que nos últimos meses médicos do governo as tem desestimulado de realizar abortos e outras notaram uma escassez repentina de camisinhas e pílulas anticoncepcionais. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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