Festa da democracia encerrou posse de Michelle Bachelet

Mais de 200.000 pessoas participaram neste domingo do espetáculo artístico "Canta América, Canta", que encerrou os atos de posse da socialista Michelle Bachelet. Segundo os relatórios da Polícia de Carabineiros, entre 200.000 e 300.000 pessoas de todas as idades se reuniram para celebrar a posse da primeira mulher presidente do Chile. Cerca de vinte artistas latino-americanos subiram ao gigantesco palco instalado em frente à Praça da Cidadania, em frente ao Palácio de La Moneda, em um concerto que se prolongou por mais de cinco horas. A última parte da chamada "festa cidadã" contou com a presença da presidente do Chile, parte de seus ministros e destacadas figuras políticas. Bachelet pronunciou um discurso no qual rendeu uma homenagem aos artistas, reiterou os pilares de seu programa e prometeu um Governo mais próximo "que dê conta dos grandes temas do desenvolvimento, mas que ao mesmo tempo se preocupe com a vida das pessoas". Também destacou a necessidade de reencontro e reconciliação entre os chilenos. "Sei bem que simbolizo o reencontro entre os chilenos. No passado sofremos muito com a dor de tantas e tantos. Quantos seres queridos não podem estar conosco nesta noite", disse Bachelet, que sofreu prisão e exílio junto com sua mãe e cujo pai morreu sob a ditadura (1973-1990). "Mas este Chile, dramaticamente dividido, estamos deixando-o para trás. Nós não esquecemos a dor, não poderíamos esquecer a memória de tanto sacrifício, aprendemos com o sofrimento, porque hoje nossos olhos estão postos no passado, mas também no futuro", ressaltou. "Surge um país no qual todos podemos nos olhar e nos reconhecer. Hoje nasce outro Chile", manifestou a presidente. Também agradeceu aos artistas e prestou homenagem aos falecidos Violeta Parra e Víctor Jara, assassinado em 1973, durante o regime de Augusto Pinochet. Destacou, além disso, os avanços dos Governos da Concertación, a coalizão de centro-esquerda que governa desde 1990, e prestou uma emocionada homenagem ao ex-presidente Ricardo Lagos que foi recebido com uma ovação. Bachelet declarou, além disso, que a meta de seu Governo é terminar 2010 com um programa de proteção social que cubra a todos os cidadãos, uma democracia participativa, educação para todos e trabalho digno, entre outros assuntos. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, e sua filha Preta Gil participaram da festa chilena.

Agencia Estado,

13 Março 2006 | 00h23

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