Festa da independência e volta de líder dão novo ânimo a chavistas

Eufóricos, partidários de Chávez tomaram as praças Simón Bolívar de todo o país para celebrar bicentenário

Roberto Lameirinhas, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2011 | 00h00

CARACAS - A festa do bicentenário venezuelano começou na segunda-feira à noite, com uma grande queima de fogos em todas as praças do país que levam o nome do herói nacional, Simón Bolívar. Em várias partes da capital, Caracas, shows musicais atraíram principalmente os seguidores do presidente Hugo Chávez - que retornara ao país durante a madrugada após um mês de ausência e fizera, à tarde, um emocionado discurso no qual relatou alguns detalhes das duas cirurgias a que se submetera em Cuba.

No Bulevar Sabana Grande - remodelado e reinaugurado à tarde -, milhares de chavistas vindos de bairros mais distantes de Caracas gritavam com euforia o nome de seu líder. "Somos todos Chávez. Avante, comandante. Recupere-se e vamos outra vez à batalha", gritava Celia Canelas, moradora e dirigente comunitária da favela La Bandera.

Um número incomum de policiais encarregava-se da segurança da festa ao ar livre. Em meio à multidão eufórica e vestida predominantemente de vermelho, muitos militantes mostravam sinais de que tinham abusado da bebida. Quase todos os que dançavam ao som da música folclórica levavam garrafas de cerveja nas mãos.

À meia-noite, um novo foguetório tomou conta do céu de Caracas. Indagado pelo Estado sobre como e onde os partidários da oposição celebravam o bicentenário, o estudante Alex Giménez, também morador de La Bandera, ironizou: "Estão na praia, aproveitando o feriado. Eles não suportam se misturar com os pobres".

Chávez vinha se esmerando nos últimos dois anos nos preparativos da celebração, que deveria servir como vitrine para os candidatos do governista Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV) que devem disputar as eleições de novembro de 2012. As notícias sobre o tratamento de câncer do presidente tinham causado um certo desânimo no campo chavista, que ameaçava contaminar as festividades do bicentenário.

Mas a volta dele, sem aviso, à Venezuela aparentemente modificou o estado de espírito de seus partidários.

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