Tony Gentile/Reuters
Tony Gentile/Reuters

Festa da realeza emociona turistas e britânicos

William e Kate reacendem patriotismo nas ruas de Londres; com muita criatividade, súditos se fantasiam para celebrar o casamento

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2011 | 00h00

A realeza não ganhou apenas mais um membro ontem, depois que Kate Middleton tornou-se duquesa de Cambridge ou, para o senso comum, princesa Catherine. Todos os britânicos que se dispuseram a acordar cedo para tentar espiar o cortejo ou somente para se divertir nos parques que teriam telões com imagens da cerimônia de casamento, sentiram-se um pouco como reis, rainhas, príncipes e princesas.

Era como se os súditos fossem mais do que convidados de honra do casamento real e do conto de fadas. Garotas se fantasiaram de noivas. Rapazes, com capas e cetros, de medievais soberanos. Quem não usava máscaras de William e Kate, arriscava uma da rainha Elizabeth II - e, eventualmente, até da impopular Camilla Parker Bowles.

O tradicional kilt escocês, perucas vitorianas, ternos com diferentes brasões do país ou da monarquia, vestidos longos de festa ou bufantes, como os de personagens da Disney. O figurino dos criativos londrinos foi uma atração em si.

No Hyde Park, um dos principais pontos de encontro de quem preferiu ir às ruas em vez de assistir à cerimônia do sofá, a multidão - uma mistura equilibrada de jovens, idosos e famílias - começou a chegar às 6 horas da manhã. E veio preparada para um dia inteiro ao ar livre, botando fé no tempo aberto, que contrariou a meteorologia. Sacolas de piquenique, champanhe e cerveja acompanhavam as bandeirinhas da Grã-Bretanha, com ou sem a foto do casal.

Os turistas se contagiaram com tanto patriotismo. "A família real é tão importante para a Grã-Bretanha. Queria que a Alemanha tivesse uma também", disse Kirsten Will, de 37 anos, assistente social de Colônia, que veio a Londres com a irmã, Ina Meyen, especialmente para a ocasião. Cerca de uma hora antes do início da cerimônia, o acesso aos principais pontos por onde passaria o cortejo real já estavam fechados.

A estimativa é de que 1 milhão de pessoas tenham tomado as ruas e as avenidas da cidade. No Green Park, os obedientes britânicos se resignavam em esticar os pescoços para ver a saída do Palácio de Buckingham e a chegada dos carros oficiais de dignitários de diversos países. Não houve ocorrências sérias e a polícia teve pouco trabalho.

Cadetes engomados e orgulhosos vendiam o programa do casamento. "Nós admiramos os noivos e amamos a família real", disseram sorrindo os jovens Dilojan Vibulanathan e Jez Davess-Humphrey, de 15 anos, "minimarinheiros", em sua própria definição.

Quando William chegou à Abadia de Westminster, milhares celebraram com suas bandeiras para o alto. E assim foi em todos os momentos decisivos da cerimônia. Kate apareceu no telão e os comentários sobre seu vestido não pararam: "Lindo!", "Tradicional demais!", "Ela está muito magra!", "Como ela é linda". As exclamações eram, em sua vasta maioria, de admiração pela noiva, que se manteve calma durante toda a celebração. Pelo menos aparentemente.

Ao longo da missa, o público do Hyde Park caiu em um silêncio compenetrado. Estavam realmente envolvidos. No fim, quando o arcebispo de Canterbury declarou o casal marido e mulher, a multidão, alguns com lágrimas nos olhos, vibrou sob uma chuva de papel picado.

Aos poucos, as milhares de pessoas concentradas para o casamento começaram a dispersar e lotar os pubs da cidade, para aproveitar o resto do feriado e debater cada detalhe. Um clima de final de Copa do Mundo se instalou. Pessoas brindando, comemorando a pátria e o reino, tentando adiar a vida normal.

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