Rodrigo Cavalheiro/ESTADAO
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Festa de eleitores de Alberto Fernández tem provocações a Macri

A celebração peronista pela vitória teve gritos de 'no se pudo' (não se pôde), referência ao lema de campanha conservadora, e prognósticos de que 'coxinhas não voltarão'

Rodrigo Cavalheiro, ENVIADO ESPECIAL A BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2019 | 09h36

A celebração peronista pela vitória de Alberto Fernández invadiu a madrugada de segunda-feira, 28, com provocações a Mauricio Macri. Em meio a saltos e buzinaços que interromperam parcialmente a Avenida 9 de Julio, os cânticos mais comuns ao redor do Obelisco diziam "no se pudo" (não se pôde), referência ao lema de campanha conservadora, "sí, se puede". Outro prognosticava que "coxinhas não voltarão" .

O peronista  foi eleito em primeiro turno neste domingo, 27, presidente da Argentina, tendo como vice Cristina Kirchner, mentora da chapa que devolve o poder à esquerda após quatro anos. Com 98% das urnas apuradas, ele obteve 48,03% dos votos e , 40,7%. O resultado deve ser confirmado pela Justiça Eleitoral argentina nos próximos dias.

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A artesã Isabel Barrios, de 47 anos, segurava um cartaz com a foto de Cristina Kirchner, eleita vice-presidente, e a inscrição "obrigado por voltar". "Num país machista como este, é bom tê-la de volta. O governo dela pode ter falhado no combate à criminalidade, mas não se compara ao de Macri, totalmente inexperiente", afirmou.

Outra frase entoada nas celebrações era "Néstor no se murió" (Néstor não morreu), gritada vivamente casualmente por outro Néstor, o vendedor de camisetas Néstor Delbene, de 48 anos.

À 1h, ele já havia vendido no QG da campanha peronista todas as unidades em que Fernández e Cristina apareciam estampados juntos. Quando estendeu o que sobrou ao lado do Obelisco, haviam sobrado somente aquelas em que Cristina aparecia sozinha.

Cada camiseta começou a ser vendida a 300 pesos (R$ 21) no início da noite, preço que caiu pela metade ao fim da celebração. O custo de fabricação é de cerca de 120 pesos cada.

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Uma das questões mais comuns na Argentina é o grau de autonomia que terá Fernández no governo, já que Cristina decidiu nomeá-lo cabeça de chapa, embora ele fosse um desconhecido do grande público.  

"Neste aspecto, a camiseta dele foi mais procurada que a dela", garantiu Néstor. Embora se identifique com o peronismo, ele também vendeu durante a campanha produtos com o "sí, se puede" de Macri. Sussurrando, ele contou feliz ter vendido todas as bandeiras macristas durante uma série de comícios com que o conservador tentou em 30 dias levar a eleição para o segundo turno.

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