Festa zulu marca posse de Zuma na África do Sul

Em discurso, presidente casado com três mulheres promete seguir os passos do líder Nelson Mandela

Reuters, O Estadao de S.Paulo

10 de maio de 2009 | 00h00

Em meio a uma cerimônia marcada pelo simbolismo zulu - uma das principais etnias sul-africanas -, o líder do partido governista da África do Sul, Jacob Zuma, de 67 anos, tomou posse ontem no país como o quarto presidente do país desde o fim do apartheid, há 15 anos. À frente do partido Congresso Nacional Africano (CNA), Zuma foi oficialmente eleito por membros do Parlamento na quarta-feira, depois que sua legenda foi a grande vitoriosa das eleições do dia 22, quando obteve a maioria absoluta das cadeiras do Legislativo. A cerimônia de posse, realizada na capital administrativa, Pretória, foi acompanhada por dezenas de milhares de pessoas, por telões instalados perto da entrada do palácio presidencial. Analistas acreditam que Zuma conduzirá o país com um tom "populista", muito diferente do de seu antecessor, Thabo Mbeki - que liderou o país por anos de crescimento econômico, mas também de declínio de indicadores sociais, que incluiu o brutal aumento do crescimento da população infectada pelo vírus HIV. Zuma, que é zulu e - em conformidade com seus costumes étnicos - tem três mulheres, descreveu sua chegada à presidência como "um momento de renovação" para o país e prometeu trabalhar pela reconciliação entre as raças, pela qual o ex-presidente Nelson Mandela lutou."Eu me comprometo a servir nossa nação com dedicação, disciplina, integridade, trabalho duro e paixão", disse em seu discurso.O agora presidente foi demitido do cargo de vice-presidente quatro anos atrás, após acusações de envolvimento em um caso de corrupção. Dois anos depois, foi acusado de estupro. Desde então, Zuma, que sempre rejeitou as acusações vem lutando para limpar seu nome. Apesar dos escândalos, Zuma conseguiu enorme popularidade e conduziu seu partido à vitória com uma campanha voltada para a defesa dos pobres.Os ex-presidentes Mbeki e Mandela estavam entre os convidados que assistiram à cerimônia, que contou ainda com a presença de outros líderes africanos, como o líbio Muamar Kadafi.

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