FHC afirma que pode enviar tropas para Ramallah

Na primeira manifestação sobre os últimos conflitos no Oriente Médio, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que pode enviar tropas federais para a área de Ramallah, na Cisjordânia, se os países empenhados nas negociações de paz no Oriente Médio solicitarem a ajuda do Brasil para uma intervenção militar na região. "A situação passou dos limites", afirmou. "Não é possível que, no século 21, se continue atuando como se nós estivéssemos na época do pré-nazismo", acrescentou. O presidente também fez uma crítica indireta ao governo do presidente dos EUA, George W. Bush, por ter endossado a decisão do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, de confinar em Ramallah o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. "Não se pode exigir que um homem humilhado não reaja. Então, eu acho que não é pela humilhação que se convence", disse Fernando Henrique, antes de um passeio de barco em Fernando de Noronha, onde está desde a última quinta-feira descansando com a família. Mas o presidente também atacou o outro lado, condenando os recentes atentados suicidas contra a população civil de Israel. "Eu acho que não cabe mais intransigência. Obviamente, o terrorismo é inaceitável. Isso vale também para os ataques à Israel", sustentou, referindo-se à seqüência de atentados terroristas contra civis israelenses. "Não tem cabimento o uso de homens-bomba", acrescentou. Embora tenha admitido a possibilidade de apoiar uma eventual intervenção militar na Cisjordânia, Fernando Henrique defendeu que é preciso dar prioridade às gestões de paz. "Num caso desta natureza, não adianta uma intervenção direta. O que adianta é uma pressão sobre os dois líderes - Arafat e Ariel Sharon", afirmou. Ele disse que o melhor caminho é apoiar a proposta de paz apresentada pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdellaziz. "É com uma proposta como a do príncipe da Arábia Saudita, de trocar terra por paz, que vai se chegar a um entendimento. Não é com homens-bomba", afirmou o presidente, lembrando que enviou uma carta a Abdullah apoiando a iniciativa. Em meio a críticas indiretas ao governo norte-americano, Fernando Henrique acredita que somente com o empenho de George W. Busch na busca de uma negociação de paz entre a Autoridade Palestina e Israel é que se poderá por um ponto final nos conflitos no Oriente Médio. Segundo Fernando Henrique, será necessária uma "firme intervenção" envolvendo todos os líderes mundiais chefiados pelo governo norte-americano para neutralizar a crescente tensão na região. "Se sozinhos eles não conseguem chegar à paz, eu acho que todos os líderes devem se juntar para colocar um ponto final nesta guerra inaceitável." O presidente avalia que, caso não se consiga reabrir as negociações entre Arafat e Ariel Sharon, a tendência é a situação na região ficar cada vez pior. "Quem liga a televisão fica horrorizado. É morte e mais morte", constatou. Ninguém quer morte, ainda mais que é Páscoa. Nós queremos é a vida. Nós queremos é o amor", pregou. "Tudo que está acontecendo é o contrário do que nós sempre sonhamos para o mundo", concluiu o presidente, dizendo que, em conversas com chefes de Estado, já se dispôs a atuar ativamente no processo de paz no Oriente Médio.

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