FHC conversa com Bush sobre Argentina

O presidente Fernando Henrique Cardoso conversou nesta quinta-feira por telefone com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, sobre a atual crise da Argentina. ?Estamos preocupados naturalmente em ver o que é possível fazer?, disse Fernando Henrique, durante visita à cidade de Goiás (GO), atingida nos últimos dias por uma enchente. Antes de chegar ao município goiano, o presidente recebeu em Brasília o governador da província argentina de Córdoba, José Manuel de la Sota, que veio antecipar as medidas econômicas que serão adotadas no país vizinho. Admitindo ter ficado mais otimista em relação aos problemas da Argentina após o encontro com o governador, Fernando Henrique afirmou que a paridade cambial entre o peso e o dólar não é mais viável. ?Me parece que a lei de conversibilidade não se sustenta mais?, disse. Ele reafirmou que a estabilidade política é pré-requisito indispensável para qualquer tipo de ajuda internacional e elogiou o esforço de coalizão do novo governo com setores da oposição. ?Tendo condições políticas, o resto a gente resolve?, disse. ?Primeiro é necessário que os argentinos digam o que vão fazer, para depois a gente ver o que dá para apoiar.? O presidente observou que é preciso acompanhar a reação dos argentinos às novas medidas econômicas. ?Vamos ver como é que o povo da Argentina reage a essas medidas?, declarou, observando que o país ?está fazendo um esforço sobre-humano?. ?É necessário fazê-lo e nós vamos então, a partir daí, dar a solidariedade pertinente?, afirmou. Fernando Henrique disse acreditar que a Argentina vai encontrar uma saída para seus problemas. Lembrando o discurso de posse de Eduardo Duhalde, em que o novo presidente disse que a Argentina estava liquidada, FHC discordou. ?Na verdade, não foi liquidada, ela está sofrendo um mau momento, mas vai recuperar?, disse o presidente brasileiro. ?A primeira questão agora é restabelecer a legitimidade do governo, do Estado. E essa legitimidade ou vem do voto popular ou dos seus representantes, desde que os representantes sejam capazes de fazer um governo de coalizão?, disse Fernando Henrique. Ele mencionou outra expressão usada por Duhalde, segundo quem o momento atual é de unidade, ou seja, do ?hino nacional e não das canções partidárias?. Fernando Henrique disse que, em breve, os presidentes dos demais países do Mercosul vão à Argentina. Na próxima quarta-feira, o novo chanceler argentino deve vir ao Brasil. Indagado se a Argentina precisa do Brasil, Fernando Henrique respondeu: ?Tanto quanto o Brasil da Argentina?. Leia o especial

Agencia Estado,

03 Janeiro 2002 | 20h04

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