FHC defende melhor distribuição de poder no mundo

O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje, em Madri, uma melhor distribuição de poder no mundo. "É preciso rever a distribuição de poder se quisermos ter mais igualdade e menos pobreza", disse Fernando Henrique, improvisando boa parte do discurso que preparou para a abertura da Conferencia sobre Transição e Consolidação Democráticas, promovida pela Fundação Gorbachev, ONG mantida por Mikhail Gorbachev, ex-presidente da extinta União Soviética. Mais uma vez, como tem feito sistematicamente em seus últimos discursos, Fernando Henrique falou de uma nova ordem global, "que seja mais querida por todos e não temida". Condenou "a globalização assimétrica" e enfatizou a necessidade de "uma globalização mais solidária que tenha instituições mais abertas e democráticas, onde os emergentes tenham voz mais ativa". Ao falar de desigualdades entre as nações, Fernando Henrique mostrou-se indignado. "Como é possível o banco de desenvolvimento do Brasil (BNDES), ter mais dinheiro que o Banco Mundial? Isso precisa ser mudado", enfatizou. Falando em espanhol, bastante à vontade, repetiu, mais uma vez, críticas ao "Grupo dos 7 ou 8", que reúne países desenvolvidos, "tem pouca amplitude e exclui os países emergentes e os mais pobres". E bateu na mesma tecla de recentes discursos: "É imprescindível fortalecer as Nações Unidas e os seus orgãos de deliberação - em particular o Conselho de Segurança - tornando-os mais representativos, capazes de auscultar a complexidade dos fenômenos internacionais, e portanto, mais eficazes em sua atuação para promover a paz por meio de soluções negociadas". Política do medo - Para uma platéia que reuniu o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, o primeiro-ministro da Espanha, José Maria Aznar, chefes de governo do Leste Europeu, da Ásia e da África, além de Gorbachev, Fernando Henrique condenou enfaticamente o terrorismo. "Já houve quem pretendesse fundar a política do medo", disse. Citou Rousseau, que, "como tantos outros depois dele, mostrou que a obediência que se funda no medo é determinada, em ultima análise, por um cálculo de prudência". E lembrou do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade. "Escrevendo na atmosfera carregada do período da Segunda Guerra Mundial, Drummond denunciou a "harmonia do medo", que fazia o amor refugiar-se "mais abaixo dos subterrâneos". Por tudo isso, insistiu o presidente, é preciso aperfeiçoar a democracia, e isso "passa pelo fortalecimento público de discussão... sem imposições, e com a perspectiva do bem comum". O presidente falou das liberdades e da imprensa livre, sem qualquer tipo de censura. "A democracia, é, em certo sentido, o outro nome da paz", disse. Nesse contexto, deu ênfase á criação do estado palestino. Lendo o texto original do discurso, disse que "é essencial que se dêem passos concretos para que se alcance, sem demora, a constituição efetiva de um Estado Palestino democrático, coeso e economicamente viável, baseado no direito de autodeterminação do povo palestino e no respeito a existência de Israel como Estado igualmente soberano, livre e seguro".

Agencia Estado,

26 Outubro 2001 | 18h56

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