FHC diz no Equador que apóia ataque ao Afeganistão

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse neste domingo, logo depois de chegar à residência oficial da embaixada do Brasil no Equador, que um eventual ataque dos Estados Unidos ao Afeganistão terá o apoio do Brasil.Segundo ele, o Afeganistão foi ocupado por um grupo que apoia o terrorismo e, nesse caso, muda a questão. "O Estado perde a base moral de ser o representante de um conjunto civilizado de nações", disse. "Houve uma decisão das Nações Unidas que valida uma reação contra o terrorismo".Fernando Henrique, porém, disse que o Brasil não se predispõe a participar de qualquer ato militar. "Nossa decisão é política e também de reforçar o sistema de prevenção contra o terrorismo, não só no Brasil, mas em toda a América Latina". Ele afirmou que o Brasil continua lutando para que as nações se entendam. "A grande contribuição que o Brasil, como Nação, tem dado, é em termos da convivência entre culturas, raças e religiões, de maneira harmônica", destacou. Esse preocupação, disse o presidente, existe, mas também é preciso entender que a Constituição brasileira considera o terrorismo crime hediondo.ONUFernando Henrique aproveitou o apoio à ação norte-americana para falar de uma reivindicação antiga do Brasil - a de participar mais das decisões que envolvam a Organização das Nações Unidas (ONU), com direito a um assento permanente no Conselho de Segurança da instituição. "Independentemente do que aconteça no Afeganistão, achamos que é preciso reforçar os mecanismos de multilateralidade, reforçar o Conselho de Segurança da ONU, ter mecanismos para repartir mais as decisões, evitar que um país tenha que tomar sozinho suas decisões."Ele lembrou que, no caso atual, do iminente ataque dos Estados Unidos ao Afeganistão, os Estados Unidos se preocuparam em consultar todos os seus aliados. "Nessa questão, o comportamento dos Estados Unidos foi ilustrativo, porque primeiro ele procurou apoios e também legitimar a sua ação. Se isso é assim, se deve ser assim, temos de insistir que na ordem mundial queremos ter mais peso, de uma maneira contínua."Fernando Henrique disse ainda que o apoio brasileiro contra o terrorismo é inequívoco, mas deve haver uma dupla preocupação: cultura de convivência e tolerância e ampliação de mecanismos mundiais de fortalecimento da paz.CIA e PTQuanto às críticas do PT contra a autorização para que agentes do serviço de inteligência dos Estados Unidos instalem um escritório em São Paulo, o presidente disse que a oposição quer é fazer barulho. "Esses agentes estão atrás da lavagem de dinheiro, da falsificação de moeda. Nós temos coisa semelhante nos Estados Unidos: um adido fiscal nosso lá. Isso é rotina".Para ele, a oposição nem pode ser chamada de mal informada. "Ela gosta é de fazer barulho, quer transformar uma coisa de rotina num acontecimento extraordinário, que não é."

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